terça-feira, 11 de abril de 2017

Carnaval, Quaresma e Semana Santa (Penitência, Promessa ou Jejum)



Carnaval, Quaresma e Semana Santa
(Penitência, Promessa ou Jejum)

No carnaval de 1976, a pedido do Tilúcio, eu fiz o primeiro samba-enredo para Agremiação Calouros do Samba homenageando o ritmista “Henriquinho” cujo refrão repetia o seu bordão “És filho de Medeiros, Sim Senhor!
Depois fiz outros sambas. Sempre falando da nossa gente, das coisas da nossa terra.
ü  Domingos (1978)
ü  Salve, ó Chopotó! Salvem o Chopotó (1979)
ü  Guido, este vale é teu (1980)
ü  Vestígios e Falência de nossas Festas, Cultura e Tradições (1982)

E foi no carnaval de 1976, mais precisamente numa quarta-feira de cinzas, dia 03 de março, que finda a folia momesca no Clube Francisco Campos, após o toque da tradicional marchinha “Cidade Maravilhosa”, amanhecendo o dia, fomos para o Bar da Esquina comentar as paqueras, os foras, os “amassos”, os beijos roubados e fugidios.
Empanzinados de bebidas alcoólicas, pedimos ao Tarcísio Caetano água mineral, sem gás, para acompanhar a conversa.
À mesa, amigos de infância: os irmãos Ronaldo e Roberto Vieira do Geraldo Didu; Gonzaga e Jorginho (Cariá) do Duzin Vieira; o Téia do Bié Linhares, o Adautinho do Adauto Ribeiral. Pode ser que tivessem presentes outros amigos, mas no momento me fogem à memória.
E a prosa se estendeu, prolongou, fluiu... Por volta das 8 horas da manhã, cansados de beber água pedimos uma cerveja. E mais uma e mais outra e outras mais...
Sei que cheguei em casa por volta das duas horas da tarde. Levei uma homérica bronca do Zizinho do Marcílio, meu saudoso pai. Tinha ele toda razão. Os pais sempre têm razão, mas só descobrimos isto muito tarde.
Só acordei na tarde de quinta-feira. De ressaca, até moral, pela reprimenda paterna. Consegui murmurar para os meus botões “ficarei sem beber na Quaresma”.
E foram dias difíceis para quem estava acostumado a beber, todos os dias, umas cervejinhas e até pinga, caipirinha e conhaque.
Mantive em segredo a minha intenção. Não contei a ninguém. Cumpri a promessa que fizera a mim mesmo. Não tinha nenhuma conotação religiosa, penitência ou jejum.
Acho que eu queria mesmo era dar um descanso ao fígado e, talvez, saber o quanto eu estava dependente do álcool.
Não foi fácil. Passados uns 15 dias começou uma coceira pelo corpo, comichão, prurido, cabufira. Deve ter sido a falta de álcool no organismo. Cheguei a rabiscar um calendário com contagem regressiva para saber quantos dias faltavam para terminar a abstinência.
Agora, passados mais de 41 anos, continuo com este ritual de não beber durante a quaresma. Não mais padeço pela privação da bebida alcoólica. Passo por este período com tranquilidade mesmo que vez ou outra eu tenha o desejo de beber uma cerveja ou uma taça de vinho.
Sobrevivi a aniversários, festas de casamentos, bufês especiais, temporadas em praia, batizados e velórios. Tudo isto a seco.
Ao longo deste tempo, muitos amigos me acompanharam nesta empreitada. Alguns desistiram no meio da caminho. Um solidário, até o fim, nesta privação foi o amigo “Milin” filho do saudoso Tatão Peru. Este amigo para abastecer o nosso primeiro gole, armazenou cachaça dentro de um coco-da-baía e o deixou descansar quietinho no fundo da caixa d’água da sua casa. O primeiro brinde com a preciosa bebida ocorreu no extinto Bar Kai-Terra no Fundão. Ainda guardo, na memória, o delicioso gosto da “água que passarinho não bebe”. O sabor do primeiro gole foi indescritível.
Nunca considerei sacrifício ficar este intervalo de tempo sem ingerir álcool. Beber a minha cerveja preferida é um dos bons prazeres que a vida me reserva. Mas não tem preço amanhecer o dia sem os efeitos de uma carraspana.
Acontece que dentro de nós habitam um “capetinha” e um “querubim” intrometendo-se a todo instante na nossa vida.
Depois de uns 25 anos ficando sem beber, da Quarta-feira de Cinzas ao Sábado da Aleluia, o “traquinas” que mora em mim envenenou-me dizendo que “quaresma são 40 dias e você fica 46 sem beber?”.
Recorri aos dicionários Aurélio e Houaiss. Consta:
“Os 40 dias que vão da quarta-feira de cinzas até domingo de Páscoa, destinados, pelos católicos e ortodoxos, à penitência; quarentena” (Aurélio)   e   “período de 40 dias, da Quarta-Feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa” (Houaiss).
ERRO do Aurélio e do Houaiss. São quarenta e seis dias da Quarta-feira de Cinzas até o Sábado de aleluia.
Para melhor me esclarecer fui à Bíblia editada pela CNBB e que eu converti em livro digital (ebook). Encontrei 195 citações com a palavra “quarenta”, mas não há nenhuma referência à palavra QUARESMA que sequer é citada na Bíblia.
Consultei o Google e o melhor conceito que encontrei para QUARESMA foi “começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, anterior ao Domingo de Páscoa”.
E complementa com “durante os quarenta dias que precedem a Semana Santa e a Páscoa, os cristãos dedicam-se à reflexão, à conversão espiritual e se recolhem em oração e penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz”(...).
“Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias e foi assim que surgiu a Quaresma.”(...)
“O dia da Páscoa foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 D.C), devendo ser celebrado sempre ao domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul).”
O “traquinas”, o anjo gênio do mau, estava correto em sua altercação. Quaresma, quarenta dias. O “Anjo da Guarda” que me protege não conseguiu contra-argumentar. Tivemos que nos resignar e aceitar as evidências.
Assim, há uns 15 anos que abreviei o primeiro gole para o Domingo de Ramos.
Já não sinto as coceiras de antigamente. Não elaboro calendário para contagem regressiva. Tornou-se fácil passar este tempo sem ingerir bebidas alcoólicas. Tem me feito muito bem ao corpo e a alma.
Emagreço uns quatro quilos. Ou desincho alguns litros?
Os exames de sangue apontam melhora, substancial, do colesterol, glicose, triglicéride, ácido úrico.
É um negócio tão bom, mas tão bom, que eu deveria seguir o conselho bem-humorado de meu pai que dizia ”meu filho, porque você não bebe na Quaresma e fica o resto do ano sem beber ?”.
A observação é pertinente. Vou pensar no caso. É uma possibilidade.

(texto escrito durante a Quaresma de 2017)






domingo, 5 de março de 2017

Renato Moreira da Silva (Renatinho - Delegado) - 81 anos



A primeira vez que ouvi o poemaCântigo Negro” de José Régio foi pela voz e interpretação do Renatinho. O poema, com rebeldia, começa assim:

"Vem por aqui"
- dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

Para lê-lo, na íntegra, é só acessar o link:

Está fazendo um ano que postei neste Blog uma saudação ao grande amigo Renatinho por ocasião dos seus oitentas anos.

Para ler todo o post , acessar o link:

A melhor homenagem que presto ao Renatinho é a minha amizade e admiração.

Dez anos, atrás, em 19/0/2007, gravei uma entrevista com Renatinho, uma fonte essencial para subsidiar informações sobre o livro que estou escrevendo sobre a história de Guidoval.

Foram mais de 2 horas de prosa. Não dá para colocar todo este material na internet, no YouTube. Assim separei três pequenos trechos da entrevista que se pode ver no vídeo abaixo:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

CHACAL (Murilo Chafy Hallak)



CHACAL (Murilo Chafy Hallak)

Cheguei a São João Del Rei em 15 de agosto de 1972 para trabalhar na CEMIG.

Eu que era o primogênito da minha Família, encontrei na empresa um irmão mais velho, o meu professor e Mestre, o amigo BOLÃO, o apelido de Maurílio de Caxias Chaffy Hallak.
Através do BOLÃO conheci o seu irmão CHACAL. Poeta e Compositor. Não tenho medo de afirmar que é o maior compositor popular da cidade onde nasceram os libertários Tiradentes e Tancredo Neves. Que me perdoem o Agostinho França, Roberto e Ginego.
Tive a felicidade de ser parceiro do CHACAL na música “Quiumbandão”, tema enredo da “Escola de Samba Falem de Mim” no carnaval de 1975. Neste ano ela terminou empatada com a insuperável “Qualquer Nome Serve” comandada pelo dramaturgo, ator, escritor, médico e Professor Jota Dangelo. Um feito, uma façanha.
Ainda com CHACAL fiz o samba “Rio de Debret” para a “Depois eu Digo”, mas ele não classificou para representar a Escola na avenida.
Acompanhei o nascimento de algumas de suas canções do Chacal como a que ele dedicou à esposa Marta e a primeira filha Marluana.
Trabalhei na CEMIG em São João Del Rei de 1972 a 1975. Depois quando me mudei, sempre retornava à cidade, ficava hospedado no casarão do Sô Chaffy.
Quando faleceu a Dona Lucy, mãe do Chacal, fui solidário a sua dor. Ele pediu-me para acompanhá-lo ao violão. Queria cantar, no velório, as suas músicas para a sua fã número um, Dona Lucy. Convenci-lhe que as pessoas não entenderiam este nosso gesto. Sua mãe entenderia a mensagem, mas o povo, não. E junto com amigos comuns, convencemos ao Chacal a ir desabafar em outro local.
Com o violão, uma garrafa de cachaça e muita dor, fomos fazer a nossa cantoria nas escadarias da Igreja Nossa Senhora das Mercês.
Muito tempo depois visitando o Chacal fiz um “pout-pourri” costurando algumas de suas canções com uns trôpegos versos-e-sons de minha autoria.
Nesta ocasião, eu e minha esposa Lourdes, recebemos a doce hospitalidade da Marta. Cantamos, bebemos, relembramos velhas histórias.
A "Banda Bandalheira" que desfila todos os anos no sábado anterior ao do carnaval, este ano prestou-lhe uma merecida homenagem desfilando com o tema "CHACAL VIVE".
Fiquei sabendo do evento pelo facebook e impossibilitado de comparecer à homenagem recorri ao Pedro Parente e às filhas do Chacal para conseguir uma camisa. Imediatamente a Marluana prontificou-se a atender o meu pedido, poupando o Pedrão da tarefa de me arrumar uma camisa.
Já estou de posse da camisa. Chegou no dia 22. Ontem, 23/02/2017, cinco anos após o falecimento do Chacal, bebi uma dose de cachaça da “Velha Aroeira”, fiz uma gravação caseira cantando o velho “pout-pourri” e postei o vídeo no YouTube.
Agora, além de carregar o Chacal, na memória, no coração, também vestirei a sua camisa.
Obrigado Marta, Marluana, Marlimara, Maraline, Marcilene, Ângela e Aila! Pelo carinho e consideração. E Bênçãos Divinas para a alma do Chacal.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Entrevista com o Professor de História Guilherme Ubaldo Barbosa



Na Trilha da História destaca a Revolução Industrial

            Entrevista com o Professor de História Guilherme Ubaldo Barbosa filho da Dra. Mariangela Ubaldo Barbosa e do nosso conterrâneo Professor Antônio José Barbosa.
Tem a duração de 53 minutos e 38 segundos. Uma bela aula de história acompanhada de uma belíssima trilha sonora.


A Inglaterra é o berço dessa industrialização, que teve início entre 1760 e 1780

O foco do Na Trilha da História desta semana é a Revolução Industrial, que marca a chegada das máquinas, dos produtos feitos em escala e de uma nova classe trabalhadora: os operários das fábricas. A Inglaterra é o berço dessa industrialização, que teve início entre 1760 e 1780. O entrevistado é o historiador e mestre em História Social pela Universidade de Brasília (UnB), Guilherme Barbosa.

"A Revolução Industrial foi, sem dúvida, a mais importante transformação que o mundo da transição da Idade Moderna para Idade Contemporânea experimentou. Eu costumo dizer para os meus alunos que a Revolução Industrial tem um impacto tão marcante que talvez só se compare a descoberta do fogo e do anticoncepcional", diz Guilherme.

Trilha Sonora
Como a Revolução Industrial teve origem na Inglaterra, o programa traz músicas de bandas britânicas com letras relacionadas a trabalho e a dinheiro. Confira a lista: "Money" (composição de Roger Waters e interpretação da banda Pink Floyd); "Money / That's what I want" (composição de Berry Gordy e Janie Bradford e interpretação da banda The Beatles); "Under pressure" (composição de David Bowie e
banda Queen); "Working Class Hero" (composição e interpreção de John Lennon); e "Revolution" (composição Ian Astbury e Billy Duffy, interpretação da banda The Cult).

Confira aqui os horários do programa completo
Sábado, 16h: Rádio Nacional FM Brasília 96,1 MHz
Domingo, 23h: Rádio Nacional AM Brasília 980 KHz (em rede com a Rádio Nacional da Amazônia 11.780KHz e 6.180KHz)
Sábado, 7h e Domingo, 6h: Rádio Nacional do Rio de Janeiro 1.130KHz
Sábado, 17h: Rádio MEC AM do Rio de Janeiro 800KHZ

O Na Trilha da História é apresentado pela
jornalista Isabela Azevedo. Sugestões para o programa podem ser enviadas para culturaearte@ebc.com.br.