terça-feira, 28 de julho de 2020

Thaís Ribeiral Vieira Condessa


Thaís Ribeiral Vieira Condessa

Quarenta anos atrás, às 13:50h do dia 28/07/1980, nasceu a nossa filha Thaís. O maior presente que DEUS poderia nos ter proporcionado. É filha única, a mais velha, a mais nova, única.
Ao longo destes anos, Thaís, tornou-se Ribeiral, mirando-se no exemplo da Matriarca Dona Lourdes, dos tios Marta, Zuleika, Luiz Antônio, Dilermando, Olga, Adauto, Meire e Alexandre, na convivência com os primos e primas tão queridos, uma grande irmandade.
E a sua personalidade foi se construindo ao conviver com o Vovô Zizinho, a Vovó Tita, os tios Ângela, Sueli, Meire, Zezé e Marcílio; além dos primos, a confraria dos Vieira.
Em 2017, casou-se com Luís Fernando, virando uma Condessa. E agora temos a Thaís Ribeiral Vieira Condessa, uma nobre cidadã que nos enche de orgulho.
Ao longo desta caminhada, por onde passa, vai reunindo amigos. Da Rua Cardoso, a Família Santiago Chaves; Ballet do Joaquim Ribeiro, Colégio Arnaldo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) onde fez graduação, especialização, mestrado e leciona (professores, colegas e alunos), UFMG onde fez o doutorado, clínicas odontológicas onde trabalha, Clube Palmeiras de BH, quintal da sua infância e hoje é conselheira, nas praias de Caraíva, na cidade de Guidoval nas férias, feriados (Festa de Santana, Festival Gastronômico e da Manga). Católica, participa do Encontro de Casais com Cristo na Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
A Thaís adora festas, barzinhos, praias, encontros, reencontros; e claro, o Clube Atlético Mineiro, GALO forte vingador.
Tentamos retratar um poquinho disso tudo neste vídeo. Não foi possível registrar, catalogar, todos os amigos que a Thaís foi colecionando ao longo deste tempo. Pedimos escusas por todas as omissões. Numa outra oportunidade resgataremos estas falhas.
FAMÍLIA E AMIGOS são os TESOUROS que a vida nos reserva. E isto a Thaís tem, e muitos, e da melhor qualidade.
Parabéns, filha! Que Deus continue lhe abençoando, protegendo e iluminando a sua vida.

Com AMOR, seus pais,

Lourdes e Dé (28/07/2020)

 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O DUELO (publicado no jornal Saca-Rolha - Edição Nº 12 – 27/08/1977)


O DUELO
(publicado no jornal Saca-Rolha - Edição Nº 12 – 27/08/1977)

Negra e fria noite de um mês que bem poderia ser dezembro ou agosto. Necessidade de chuva, milharal ou plantação de cebola a ressentir. Sei não... Projeto de lua nova, fim de minguante. Qualquer coisa assim, data que não me recordo com precisão. Dias desses - melhor dizendo - noite dessas opacas e omissas, não fosse o encontro que tentarei narrar.
Lá pelas bandas da Cachoeira, vindo de caminhos opostos, seguindo por estradas diferentes, defrontaram-se a "Cultura" e a "Política".
A Cultura de bengala, cansaço visível diante de uma luta inglória. A Política de guarda-chuva em punho, colete e "sobretudo" distribuindo sorrisos e promessas.
Há muito os dois se evitavam. Um por sentir as suas esperanças à porta da miséria, o outro por não ter como se explicar. Como tudo tem seu dia, o inevitável aconteceu.
Enfim a Cultura e a Política cara-a-cara, resmungos e caretas, cuspidelas no chão... Diálogo de envergonhar Camões e Bilac, de fazer inveja a Bocage e ao Quirino. Nome de mãe, ir-e-vir a lugares incomuns tornou-se a tônica da conversação. Não fosse a intervenção do Espião, sempre presente nos locais improváveis, haveria morte.
Aparteando-os e tentando controlá-los, o Espião contou com a pronta colaboração do Sapé, caminhante incansável nas madrugadas em busca de inspiração e sossego.A única saída plausível e aceitável foi marcar um duelo no estilo antigo e clássico.
Consideraram como local mais indicado, a saída da antiga estrada para Ubá, pouco após da gameleira centenária, na primeira curva. Como padrinho de arma a Cultura escolheu o Ateneu Sapeense, a Política a AREG. Para testemunhas convidaram A VOZ DE GUIDOVAL, MARLIÈRE, GUIDOVALENSE, SAPÉ, O APÓSTOLO, JORNAL DE GUIDOVAL, SACA-ROLHA, SAPEENSE, TURUNAS e o ESPIÃO.
Ninguém queria aceitar a responsabilidade de ser o juiz deste evento. Com muito custo, após vasta argumentação o Chopotó concordou, porém com uma ressalva: - Serei o juiz desde que eu possa ficar a uma distância considerável. Não quero perturbar o meu curso pacato, não desejo complicações com a polícia, já que tais "encontros" são proibidos por lei. Aliás, isto muito contribuiu para que o duelo não fosse preparado e badalado pelos arredores, o que ocasionou a ausência de curiosos.
No dia determinado, que não posso precisar, verão ou outono, todos marcaram presença. As testemunhas, os padrinhos de arma e o juiz Chopotó a uma certa distância, como combinado.
A Cultura chegou um pouco mais cedo, a Política atrasou um pouco devido a burocracia. Num clima de suspense e inquietação a Cultura escolheu como arma a "palavra", à política ficou com a "meia-palavra".
O Chopotó deu o sinal de longe, numa época em que a poluição em nome do progresso não o agredia. Contaram-se os passos.Viraram-se ao mesmo instante.
A Cultura mais rápida lançou no ar: “Inútil!
Não afetou e nem tampouco sensibilizou a política. Esta por sua vez, milésimos de segundos depois, antes mesmo que o eco se consumisse (inútil) no vale vociferou: “Fé-da-pu...
Foi o bastante para fulminar a Cultura.
Acorreram-se todos juntos à Cultura. Mas nada havia a fazer. Constataram-se o óbvio e o óbito.
Marcaram o enterro para o dia seguinte. Entretanto na hora de mudar a roupa da Cultura, o seu fiel amigo Saca-Rolha, percebeu leve pulsação. Não divulgou o fato para não causar impacto, alvoroço.
A cultura não estava morta e sim num estado de catalepsia.
De comum acordo o Saca-Rolha e o Espião, sempre sabendo das coisas, resolveram escondê-la em local adequado, para que mais tarde pudesse ser medicada.
No caixão colocaram cinzas e não deixaram que ninguém o abrisse no velório para o último adeus.
A Política e a politicagem fizeram quarto entre lágrimas de e fingimento.
Houve o enterro, sino, choro e missa. Só ninguém sabia, exceto o Saca-Rolha e o Espião, que estavam enterrando as cinzas da ignorância.
Hoje algumas pessoas idealistas andam à procura de médicos e enfermeiros que consigam tirar a Cultura deste estado de catalepsia.
O local onde sucedeu o duelo o povo resolveu denominá-lo de "Curva da Morte".

Verbetes para quem não conhece Guidoval
Quirino - Personagem da vida guidovalense capaz de recitar palavrões que nem o Aurélio conseguiu registrar.

AREG - Nome da iniciativa de se construir um clube social, que não passou de alicerces e estruturas fantasmas.

Chopotó - Rio que banha e adorna a cidade

Ateneu Sapeense - Teatro-lítero-musical que existiu em Guidoval.

Turunas e Sapeense - Clubes carnavalescos antigos.

A Voz de Guidoval, Marlière, Guidovalense, Sapé, O Apóstolo Espião, Saca-Rolha, Jornal de Guidoval - são jornais antigos que já circularam em Guidoval.
(escrito por Ildefonso Dé Vieira)













sexta-feira, 19 de junho de 2020

Antônio José Barbosa (por Ildefonso Dé Vieira)

Antônio José Barbosa

Hoje, dia 19/06/2020, o meu amigo Antônio Barbosa faz aniversário. Completa 66 anos de idade, de uma vida profícua, dedicada à Família, aos Amigos, à Educação e a História.
O meu saudoso pai, Zizinho do Marcílio, chamava-o, carinhosamente, de “Barbosinha”. O Prof. Dr. Antônio José Barbosa é amigo da nossa família desde a mais tenra idade.

Interrompo, por instantes, a narrativa para contar do sonho que tive nesta madrugada. Estavam tirando uma fotografia de autoridades. Em pose, para posteridade, estavam Sebastião Cruz, Ozanan Coelho, José Vieira Neto (Zizinho do Marcílio) e Antônio José Barbosa Neto. Intrometi à frente do retratista para cumprimentar o Barbosa Neto e, cutucando-lhe o peito, com o dedo indicador, disse para que todos pudessem ouvir “este é o cidadão guidovalense portador do título eleitoral de número 1, vereador e secretário da primeira Câmara Municipal de Guidoval, pai do meu amigo Antônio Barbosa”.

         Há muito tempo que pretendo escrever sobre o amigo Antônio Barbosa. No site de Guidoval tem duas minibiografias feitas por alunos da Escola Estadual Mariana de Paiva. Uma escrita por Maria Rosa da Silva e Fabiana Rafino. Outra feita por Manuela Occhi Damasceno e Felippe Occhi Pereira.
         Pedi ao historiador Guilherme Ubaldo Barbosa, filho mais velho do Professor Antônio Barbosa, ajuda para me fornecer fotos e dados pessoais do seu pai. Com a presteza e o brilhantismo dos Barbosa ele me enviou um vasto material, um pequeno ensaio. Vou publicá-lo na íntegra.
         Diante tantas informações já existentes, resta-me resenhar a minha convivência e a de minha Família com o Antônio Barbosa. Parafreseando o grande cronista político Sebastião Nery que escreveu “Ninguém me contou. Eu vi”. Eu acrescento: Vi, vivi e convivi. E é o que eu irei contar.
         Tem uma fotografia antológica, de 1961, quando Antônio com sete anos fazia o primeiro ano no Grupo Escolar Mariana de Paiva que funcionava num velho casarão ao lado da Igreja Matriz de Santana. Nesta foto, na escadaria da igreja, está a grande Mestra Nadir Cunto Simões, especialista em alfabetizar crianças, junto de seus alunos. E nela destaco vários amigos e amigas de nossa infância: “Ágda Siqueira, Flavinho Queiroz, Paulo Alberto (Pulica do João Matos), Joel do Coutinho, Luiz Antônio Matias, Cláudio do Chiquito, Antônio Barbosa, José Carlos Caetano, Adautinho Ribeiral, Gracinha do Duzin, Marina Schiavon, Maria José Aguiar, Ivone Gonçalves Cruz, Aparecida Queiroz, Rita de Cássia Almeida, Cristina do Adão Nogueira, Maria das Graças Nogueira, Maria dos Anjos (filha do soldado), Ângela Maria Vieira (minha irmã), Rosa Maria de Barros), Maria José, Consolação do Zé Estulano, Luiz Alberto Dias (Nenão do Celso Sampaio), Olivier Reis, Ronaldo Alves Vieira.”
Esta turma formou em 1964, sob a orientação de outra grande professora, Aracy Franco Ribeiro dos Santos. E dentre os mais de trinta formandos, apenas dois conseguiram a nota máxima, o almejado dez; a menina Maria da Penha de Paula e o meu amigo Antônio Barbosa. Ali já se prenunciava o aluno brilhante, o futuro acadêmico sem limites e fronteiras em busca do saber, um notável professor.
Quando o Antônio tinha um ano de idade, em 1955, meus pais, Zizinho e Tita, moraram na Rua Cândido Mendes de Carvalho. Éramos vizinhos dos seus pais, Dona Geni Reis Barbosa e Sô Antônio José Barbosa Neto. Nesta idade, Antônio dava os primeiros passos e pronunciava as primeiras palavras. Seria mentir dizer que já éramos amigos, naquele tempo, mas o seu irmão, o poeta Zé Francisco me presenteou com um reco-reco e eu acompanhava os ensaios da Congada que se reunia defronte a nossa casa, no Morro do Sô Astolfo Mendes. E disso nunca me esqueço.

Depois, de 1963 a 1969, minha família morou na Praça Getúlio Vargas, que chamávamos de Niterói, por ficar do outro lado da ponte. A pracinha, um imenso areal, em forma triangular, era o nosso campinho de futebol. Neste espaço travávamos as nossas peladas. O Antônio Barbosa não tomava parte destes embates, mesmo sendo um desportista, não possuía traquejo e aptidão para a prática desse esporte que consagrou o Rei Pelé. Entretanto esta falta de intimidade com os dribles, embaixadas, chutes, tabelas e pontapés, não inibiu o meu amigo a se envolver com o esporte mais popular do país. E para não ficar de fora deste evento decidiu ser Juiz de Futebol. Escolheu a pior função. E preparou-se com toda a sua inteligência e energia. Leu livros, devorou compêndios, leu e releu sobre as leis que regem o assunto. Paramentou-se com camisa, short, chuteira e apito. Faltava-lhe carregar nos bolsos os cartões amarelo e vermelho, pois na época ainda eles ainda não exisitam.
E com lucidez exerceu a difícil missão de apitar partidas de futebol. Percalços ocorreram. Juízes são e serão sempre questionados. Mas nada o intimidou neste mister. Uma história que não posso deixar de mencionar é o atropelamento do Antônio pelo Roberto Alves Vieira, durante uma partida em que apitava. Não foi uma atitude deliberada do desastrado beque central. Os comentaristas esportivos dizem que houve “imprudência, atitude temerária, uso de uma força excessiva”. O fato é que resultou numa queda e quebra do braço do jovem juiz, fato este, que entrou para o folclore futebolístico guidovalense. Outro caso, a relembrar, pois dele fiz parte, foi quando o Infantil do nosso glorioso Cruzeiro de Guidoval foi disputar uma partida, em Leopoldina, contra a forte equipe do Esporte Clube Ribeiro Junqueira. Éramos rapazinhos e eu fui convocado para ser um dos bandeirinhas.
Durante a partida, bem à minha frente, um jogador do Ribeiro Junqueira cometeu uma falta no atleta do Cruzeiro. Incontinênti, levantei a bandeirinha indicando a infração. O Árbitro Antônio Barbosa, sem pestanejar, acudiu, assentiu e confirmou a minha marcação. Formou-se o início de um bafafá, um quiproquó. Exaltados, diziam “onde se viu bandeirinha marcar falta?”. Mas a situação foi logo contornada pela firmeza do jovem Juiz ao explicar que o bandeirinha não era apenas um simples marcador de bola fora ou impedimento. Era assim um auxiliar na arbitragem. Só muito tempo depois a FIFA deu o nome de “árbitro assistente”.
O futebol levou o Antônio Barbosa a se apaixonar pelo Botafogo, o glorioso time da estrela solitária. Provavelmente por influência dos irmãos mais velhos, Márcio e Túlio. Sei como é isso, por ser primogênito em minha família. Mas também era fácil torcer pro Botafogo no início da década de 60, tendo no elenco Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo, Quarentinha, Zagalo, Manga, Rildo, Paulo Valentim, Gerson, Paulo César Caju, Jairzinho. João Saldanha e Armando Nogueira eram botafoguenses. Aliás, o Antônio Barbosa mandou uma carta ao Armando Nogueira, poeta da crônica esportiva, que a publicou em sua coluna "Na Grande Área".
Antônio Barbosa também tem simpatia pelo Cruzeiro de Belo Horizonte, principalmente devido ao grande Tostão (Dr. Eduardo Gonçalves de Andrade), além é claro, de Dirceu Lopes, Piazza, Zé Carlos e companhia.
No dia 15/11/1972 foi eleito vereador para a Câmara Municipal de Guidoval. Tinha pouco mais de 18 anos e foi considerado, na ocasião, o mais jovem vereador eleito no Brasil. Exerceu o seu mandato com entusiasmo e dedicação. A Fundação Municipal de Saúde de Guidoval teve origem em um projeto de sua autoria. Também é ao autor da criação do “Dia do Guido” a ser festejado no primeiro domingo de setembro na Comunidade do Monumento Guido Marlière. Além de homenagear o nosso fundador, criar-se-ia um evento político na tradicional região da Serra da Onça, obrigando aos nossos governantes municipais a entregar obras públicas de interesse a esta região.
Virou folclore político, uma lenda, de que um dos vereadores questionou “e se o primeiro domingo cair numa segunda-feira?”, fato este narrado no site de Guidoval e depois no Blog do jornalista Cláudio Humberto.
Outro folclore de guidovalense foi publicado na Folha de São Paulo, no box “Contraponto” de 18/12/1993. Narra que os alunos da Universidade de Brasília (UnB) viram uma notícia que em Guidoval, terra natal do Professor Antônio Barbosa, tinha na entrada da cidade uma placa com os dizeres “É proibido carro de boi entrar cantando”. Isto serviu de chacota (bullying) com o Mestre, que esportivamente, aguentou calado. Acontece que, além de professor, Antônio Barbosa era, na época, o Secretário Executivo do Ministério da Educação e Desporto. Alguns dias depois, o Ministro, Professor Murílio de Avellar Hingel, viajou ao exterior, Antônio deu o troco:
Guidoval é acanhada. Não tem só uma rua. Ostentou sim, no passado, uma placa proibindo carro de boi passar cantando. Mas, a partir de hoje, tem um Ministro de Estado, mesmo que interino.” A turma parou a gozação.
Em 1976 meu pai era candidato a prefeito. O Antônio Barbosa, amigo da família, companheiro de partido e vereador na Câmara Municipal, junto com meu pai e o ajudou na campanha. Lembro-me dele, na sala de nossa casa, inventando nomes, títulos, slogans para a campanha. Tenho o até hoje guardado o rascunho das ideias que iam surgindo. No final prevaleceu “O Povo Quer” e a “A grande obra não pode parar”. Depois, com a sua voz privilegiada fez a locução da propaganda partidária. Campanha simples, sem recursos financeiros. Pequenos comícios, o Antônio empolgando o eleitorado com a sua dialética. Eram quatro candidatos a prefeito, todos com o prenome José. Dois da ARENA, José Vieira Neto e José Gomes Teixeira; dois do MDB, José Pinto de Aguiar e José Alves Vieira. Venceu o meu pai, José Vieira Neto. O Antônio Barbosa corroborou para a vitória. A posse ocorreu no dia 31/01/1977 e o Antônio estava presente, como cerimonialista, discursando, dando boas vindas aos eleitos.
Numa fria noite de julho de 1.978, saímos às ruas da cidade fazendo uma serenata. Contamos com a virtuose do Zé Vieira, tocando a sua flauta feita com talo de abóbora. O Zé Vieira era um trabalhador braçal do DER-MG. Morava na Rua do Alto. A nossa cantora principal a Carminha do Virgílio do Posto. Fazendo coro, tínhamos o Renatinho e as minhas irmãs Ângela, Sueli e Meire. O Antônio Barbosa cantou “Carinhoso” e outras músicas. No vídeo que postarei no YouTube poder-se-á ouvir um pequeno trecho.
Em 20 de janeiro de 1979, dia consagrado a São Sebastião, casei-me, em Belo Horizonte, com a Maria de Lourdes Ribeiral Vieira. O Antônio Barbosa, vários amigos e familiares marcaram presença.
No ano seguinte, no dia 20 de setembro, o Antônio Barbosa casou com a Dra. Mariângela Antoniol Ubaldo na Igreja Matriz São João Batista, em Visconde do Rio Branco. Uma linda cerimônia. A recepção foi no “Clube dos 50”. Buffet Completo, bebidas diversas, mas não posso deixar de comentar o espetacular tombo do garçom no meio do salão com copos, taças, espumantes e whiskeys, voando para todo lado. Inesquecível.
A “Escola Municipal Antônio Barbosa Neto” construída na gestão do Prefeito Élio Lopes dos Santos contou com o prestígio político do Antônio Barbosa.
Tenho mais coisas a contar, mas me alonguei demais, preciso parar. Mas antes de terminar, falarei do cidadão Antônio Barbosa que participa de todos os eventos e campanhas em prol de Guidoval. É sócio fundador da Sociedade Esportiva e Recreativa 66 (SER 66). Colaborou na Campanha dos Lustres da Igreja Matriz de Santana e para as festividades do Sesquicentenário da Paróquia, paga dízimo, contribuiu com Asilo “Lar dos Idosos  São Vicente de Paulo”. Escreveu artigos para o jornal Saca-Rolha e Jornal de Guidoval.
A última vez que me encontrei com o Antônio Barbosa foi no final de janeiro deste ano. Ele deslocou-se, de carro, de Brasília até Guidoval. São mais de 1.000 km. Veio, acompanhado pelo filho Guilherme, para alocar, realojar o irmão José Francisco, pois a enchente que castigou a nossa cidade nos dias 24/25 de janeiro, atingiu a residência da Família na Praça Santo Antônio, ficando, temporariamente, inabitável. Eis um exemplo da verdadeira irmandade, do cristão fraterno e solidário.

O seu filho Guilherme escreveu “Antônio José Barbosa é o filho caçula temporão – “rapa do tacho”, aquele cujo curioso ofício definido desde o nascimento – o de colocar os pais ao sol-.

Ouso acrescentar, que ele veio ao mundo para iluminar quem estiver ao seu redor.

Obrigado Antônio, por tê-lo como amigo.

Abraços,
Dé da Dona Tita do Zizinho do Marcílio

Antônio José Barbosa (por Guilherme Ubaldo Barbosa)

Antônio José Barbosa

(por Guilherme Ubaldo Barbosa)


1. A Família:

Nascido em 19/06/1954, no município de Guidoval, Zona da Mata de Minas Gerais, Antonio José Barbosa é o filho caçula temporão – ‘rapa do tacho’ – de Antônio José Barbosa Neto e de Gení Reis Barbosa. Aquele cujo curioso ofício definido desde o nascimento – o de colocar os pais ao sol – é o mais jovem entre sete irmãos: Márcio, Túlio (‘in memorium’), Rilma, José Francisco, Hélio e Maria Carolina.

Casou-se com Mariângela Antoniol Ubaldo na Igreja Matriz São João Batista, em Visconde do Rio Branco. O matrimônio ocorreu em 20/09/1980. Mariângela é Médica e atuou como Pediatra na rede pública de saúde do Distrito Federal por mais de três décadas.

Antonio Barbosa e Mariângela são pais de três filhos: Guilherme, nascido em 29/10/1981, é Historiador. Mariana, Médica Cardiologista, nasceu em 17/12/1982. Eduardo, de 14/3/1992, atua como Advogado consultor do Supremo Tribunal Federal (STF), além de ser Historiador. Antonio e Mariângela têm dois netos, filhos da Mariana: João (27/07/2015) e Luísa (19/10/2018).

2. A Formação:

Antonio J. Barbosa conheceu o universo da educação, ainda em Guidoval, naturalmente, a partir do Grupo Escolar Mariana de Paiva”. Logo em seguida, estudou no Ginásio Guido Marlière”. Encerrou o ‘colegial’ no “CAVE”, em Juiz de Fora, no ano de 1970.

Cursou a graduação do curso de História na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Historiador, com Bacharelado e Licenciatura (1975), Antonio aliava os estudos acadêmicos, ao mesmo tempo, a duas outras atividades: o magistério e a política. Mais tarde, tornou-se Mestre (1989) e Doutor (2000) em História pela Universidade de Brasília (UnB). É integrante da Academia Ubaense de Letras, desde o ano de 2012, bem como da Academia Rio-branquense de Letras, desde 2014.

3. O Vereador:

Em 1972, com apenas 18 anos, Antonio foi eleito vereador em Guidoval. Consta que, até aquela data, foi o mais jovem político já eleito em toda História do Estado de Minas Gerais.

Na Câmara Municipal de Guidoval, entre os anos de 1973 e 1977, destacava-se, em primeiro lugar, a vocação para o espaço do palanque. Orgânica parecia ser a intimidade com microfones; além da envolvente retórica engendrada quando proferia discursos. A atuação política em projetos como, por exemplo, os que inauguraram condições para o surgimento da “Fundação Municipal de Saúde”, ou mesmo, a criação do “Dia do Guido”, integram capítulos da vida política de Antonio.


4. O Professor:

Enquanto professor de cursos preparatórios para vestibulares, Antonio J. Barbosa destacou-se pela singular capacidade de unir ao vasto conhecimento histórico a habilidade de transmiti-lo por meio de retórica carismática, envolvente e apaixonante. Aliás, a paixão pela sala de aula e ao ofício de professor pode ser considerada a principal marca da trajetória profissional dele. Talvez apenas superada pela dedicação ainda mais apaixonada na defesa da educação pública.

Entre 1974 e 1979, foi professor do “Colégio Cristo Redentor” e dos “Cursos 2001”, “PROTEC” e “CAVE”, todos em Juiz de Fora. Entre 1977 e 1979, Antonio também lecionou no Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em Brasília, entre os anos de 1980 e 1983, foi professor e coordenador do “Colégio Objetivo”. Em 1984, ao lado de outros renomados professores da capital, foi um dos fundadores do “Colégio Sigma”, onde, além de professor, foi também coordenador da cadeira de História e figura central da criação do projeto de orientação pedagógica do colégio. O Sigma tornou-se o mais importante estabelecimento de ensino da cidade de Brasília.

Na Universidade de Brasília (UnB) foi professor do Departamento de História por mais de três décadas (1986-2019). Entre as principais disciplinas que lecionou, destacam-se: “História Contemporânea”, “História do Extremo Oriente” e “História Social e Política Geral”. Foi o fundador e primeiro presidente da “Associação Nacional de História” (ANPUH-DF), em 1987. À época, conjuntura da redemocratização do Brasil e reconstrução de autonomia das universidades, a então “Associação Nacional dos Pesquisadores Universitários de História” (ANPUH) não tinha sua filial na capital, Brasília.

Na mesma instituição, UnB, tornou-se Mestre e Doutor em História, na área de concentração intitulada “História das Relações Internacionais”. A Dissertação do Mestrado, defendida em 1989, teve o seguinte título: "O Brasil e a questão Cubana - Punta Del Este (1962)". Com a pesquisa "O Parlamento e a Política Externa Brasileira (1961 - 1967)”, a Tese de Doutorado foi concluída no ano de 2000.

5. O Gestor Educacional:

Radicado em Brasília definitivamente a partir de 1980, além da prática docente, Antônio J. Barbosa também manteve atividades de assessoria técnica em âmbitos Federal – Ministério da Educação (MEC) – e Distrital – Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE).

No governo do presidente Itamar Franco, nos anos de 1992 e 1993, foi nomeado Secretário Executivo do Ministério da Educação. Por várias ocasiões exerceu o cargo de Ministro de Estado, substituindo, interinamente, Murílio Hingel. A “Escola Municipal Antonio Barbosa Neto” foi fundada nesse momento. Aliás, por ocasião da inauguração da escola, o próprio Ministro Hingel esteve presente em Guidoval.

Posteriormente, Antonio assessorou a Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, no mandato do Governador Itamar Franco (1999 – 2002). Em seguida, atuou por um curto período como Secretário de Educação Básica do Ministério da Educação durante o primeiro ano do mandado do Presidente Lula, em 2003, quando Cristovam Buarque era o titular da pasta.

6. O Consultor Parlamentar:

Em 1988, aprovado em concurso público, tornou-se Consultor Legislativo do Senado Federal. Nesse espaço do Parlamento, durante as três décadas seguintes, Antonio J. Barbosa foi um dos protagonistas do processo de fundação da Universidade do Legislativo (UNILEGIS), bem como foi dos mais importantes colaboradores da criação dos canais de comunicação do Poder Legislativo, a Rádio e a TV Senado, por exemplo. Foram inúmeros os documentários, os artigos, os programas, enfim, os projetos que contribuíram para aproximar as atividades legislativas à opinião pública.