terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Mônica Salmaso – Ô de casa

 

Mônica Salmaso – Ô de casa

085 - Mônica Salmaso e Chico Buarque à https://youtu.be/bf1yRoOpL3k

003 - Mônica e PauloAragão à https://youtu.be/khoIDSh9tGw

004 - Mônica e Chico Cesar à https://youtu.be/HeIijjH_h3c

011 - Mônica Salmaso e João Cavalcanti (filho do Lenine) à https://youtu.be/mQ3zvxMDHPk

030 - Mônica Salmaso, Dori Caymmi e Teco Cardoso à https://youtu.be/IpX1ckCB63M

040 - Mônica Salmaso, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho e Paulo Aragao à https://youtu.be/V4oAKwPWQIg

015 - Mônica Salmaso e Guinga à https://youtu.be/YvBdQXcRvXA

017- Mônica Salmaso e Cristóvão Bastos à https://youtu.be/Vg1vxA6Bm9Y

021 - Mônica Salmaso e Nailor Proveta à https://youtu.be/IcqZdMM-m68

048 - Mônica Salmaso e Mario Adnet à https://youtu.be/eHcmPypbV7w

013 - Mônica Salmaso e João Camarero àhttps://youtu.be/GOA3cvaJBKc

124 - Mônica Salmaso, Dori Caymmi e Teco Cardoso Correnteza àhttps://youtu.be/ZD8vYQQYfZk

041 - Mônica Salmaso e André Mehmari – Senhorinha àhttps://youtu.be/fxfBL8OLrjw

038 - Mônica Salmaso e Gabriele Mirabassi à https://youtu.be/Dma2-XTsG1Y

091 - Mônica Salmaso, Áurea Martins e João Camarero àhttps://youtu.be/6p624iuyogc

111- Mônica Salmaso e Vidal Assis à https://youtu.be/1_fNhK0NSkc

104 - Mônica Salmaso e Gian Correa à https://youtu.be/7q8YCu0P9uw

098 - Mônica Salmaso e Lula Galvão à https://youtu.be/6iJ3oqntNws

065 - Mônica Salmaso e Paulo Aragão – Diagnóstico à https://youtu.be/a-nAd5ngjYo

031- Mônica Salmaso e Maogani àhttps://youtu.be/z8B-A9FQk_8

028 - Mônica Salmaso e João Paulo Amaral à https://youtu.be/SHK38OEnztA

126 - Mônica Salmaso e Marco Pereira – Iracema à https://youtu.be/Jhk3RRcmb14

037- Mônica e Moyseis Marques à https://youtu.be/xD_C2sUYni4

067 - Mônica Salmaso e Rosa Passos à https://youtu.be/-DTXcqyaQ1s

125 - Mônica Salmaso, Ney Matogrosso e Webster Santos à https://youtu.be/OtHcwkE0k5I

102 - Mônica Salmaso e Rosa Passos – Juras à https://youtu.be/0TdwV1o9VYY

062 - Mônica Salmaso e Paulão Sete Cordas à https://youtu.be/Kx1gUL-R_kI

018 - Mônica Salmaso e Joyce Moreno à https://youtu.be/6PkR2lFjeRE

086 - Mônica Salmaso e Lui Coimbra à https://youtu.be/b8DC6O2n1XM

081- Mônica Salmaso e Marco Pereira à https://youtu.be/nUmq9-ffEPk

060 - Mônica Salmaso e Tita Parra à https://youtu.be/hTRPwTFo8T0

101 - Mônica Salmaso e Cacai Nunes à https://youtu.be/HxPSpTYoyTw

094 - Mônica Salmaso, Rolando Boldrin e Neymar Dias à https://youtu.be/aZjZADIno_I

032 - Mônica Salmaso e Mestrinho à https://youtu.be/QVQcgnXCvDk

070 - Mônica Salmaso e Hamilton de Holanda à https://youtu.be/-Q0SMaTzTUE

061 - Mônica Salmaso, Pedro Paulo Malta e Mauricio Carrilho à https://youtu.be/9jDHZu50f28

105 - Mônica Salmaso e Casuarina à https://youtu.be/xgcVTkEItYU

119 - Mônica Salmaso e MarcosValle à https://youtu.be/F3jfSFu3jlk

066 - Mônica Salmaso e Salomão Soares à https://youtu.be/x2pXc1MGDmk

096 - Mônica Salmaso e Guinga - Você Você à https://youtu.be/YIn_8czmAcc

056 - Mônica Salmaso, Magos Herrera, Vinicius Gomes e Rogério Boccato à https://youtu.be/hFdGumadb6k

110 - Mônica Salmaso e Maro - Canção da Partida à https://youtu.be/ReH7Mpn-Bq8

076 - Mônica Salmaso e Breno Ruiz à https://youtu.be/yrKVlANjp9g

053 - Mônica Salmaso e João Lyra à https://youtu.be/Xoc58K899q0

080 - Mônica Salmaso e Paulo Aragão - Sobre Todas as Coisas à https://youtu.be/f3zvmenHyIc

025 - Mônica Salmaso e Swami Jr. à https://youtu.be/Ktc-JL_RLCI

106 - Mônica Salmaso e Fábio Peron à https://youtu.be/WSLr6OD64oM

082 - Mônica Salmaso e Edu Lobo à https://youtu.be/_abjyXHCgbo

073 - Mônica Salmaso, Marcos Nimrichter e Teco Cardoso à https://youtu.be/CM9i41lgfes

043 - Mônica Salmaso e Dori Caymmi à https://youtu.be/rGaUWxIeuAg

108 - Mônica Salmaso, Rodolfo Stroeter e Teco Cardoso à https://youtu.be/qlIJaN3LmqQ

120 - Mônica Salmaso, Nelson Ayres e Teco Cardoso à https://youtu.be/DV431lM6ALs

001 - Mônica Alfredo Del Penho à https://youtu.be/vVhcowR3rkI

006 - MÔNICA e TERESA CRISTINA à https://youtu.be/fljT04egE7o

130 - Mônica Salmaso, Alfredo Del Penho, Pedro Miranda e Pedro Paulo Malta à https://youtu.be/op6jl_B4Ylw

128 - Mônica Salmaso e Lulinha Alecar - Mãe Da Manhã  à https://youtu.be/zFQ6uHbGvfY

127- Mônica Salmaso e Zelia Duncan - Vou Gritar Seu Nome à https://youtu.be/VADRnGzEsQ8

122 - Mônica Salmaso e Amilton Godoy à https://youtu.be/x1mPr5i2NDE

121 - Mônica Salmaso e Orquestra Jovem Tom Jobim à https://youtu.be/92sM5FFJCwk

117 - Mônica Salmaso e Alexandre Andres à https://youtu.be/XY4GMS9t8uc

116 - Mônica Salmaso, Paulo Aragão e Teco Cardoso - Santa Voz à https://youtu.be/ruO5CLKRpqw

103 - Mônica Salmaso, Dori Caymmi e Teco Cardoso - Voz de Magoa à https://youtu.be/GAm3l1VoMvw

100 - Mônica Salmaso e Quinteto da Paraíba à https://youtu.be/i5Vh2-ofhl8

097 - Mônica Salmaso e Marco Pereira - Suite Gabriela à https://youtu.be/YeRGxNqd30I

095 - Mônica Salmaso, Gian Correa, Henrique Araujo e Xeina Barros à https://youtu.be/G9Pmz_uwgLk

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Marcílio José Vieira Neto

 

Marcílio José Vieira Neto

    Quando o meu irmão, caçula, nasceu eu tinha onze anos e cinco meses. Foi numa data muito especial, dia 08 de dezembro, Consagrado à Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Tenho a certeza de que ele é um abençoado.

    Era o bebê mais bonito da Praça Getúlio Vargas. O ano de 1963 terminava e eu concluía o quarto ano primário e logo em seguida comecei o ginasial no “Guido Marlière”. Além destas obrigações estudantis, tinha os compromissos com jogar peladas na nossa pracinha, um areal, e no campo do José Pinheiro, no campo do Bambu, depois promovido Vai-quem-Quer, no campo do Jaburu que ficava nos fundos da casa da D. Alzira e Sô Pedro Vieira e no Campo do Cruzeiro. Portanto uma infância voltada ao futebol que me negou a glória, pois não passava de um perna-de-pau esforçado.

    MAS estou aqui para falar de meu irmão. É o que farei. Herdou o nome poderoso do Vovô Marcílio José Vieira, uma tradição criada pelo nosso bisavô José Marcílio Vieira que colocou Marcílio como sobrenome dos filhos como em José Marcílio Vieira Filho, Joaquim Marcílio Vieira, Maria Marcília Vieira (Tia Cotinha). Preciso confirmar os nomes completos dos tios-avós Aristides, Francisco e Isabel.

    Toda família tem pelo menos um Marcílio. Assim temos primos em 1º, 2º e 3º grau, são várias gerações, com nome de Marcílio. O Vovô Marcílio, em vida, sabia e contabilizava quantos “Marcílio” tinham na Família.

    Em 1965, quando o Marcílio tinha pouco mais de um ano, fui estudar no Colégio Agrícola de Rio Pomba. Dessa forma, acompanhei o seu crescimento um pouco à distância, nas férias, feriados e fins de semana. Mesmo assim tive alguma influência nos gostos e preferências do meu irmão caçula. Torcer para Flamengo e depois o Clube Atlético Mineiro, o GALO Forte Vingador.

    Em 1969 nossos pais mudaram para Rua Conde da Conceição, hoje João Januzzi. Mesmo sendo uma criança de apenas seis anos, “do lado de lá da ponte”, na nossa Niterói, Praça Getúlio Vargas, iniciou uma amizade com o menino Juscelino Pinheiro, que atravessa os tempos, enraizando em compadrio, de muitas histórias em comum. Aliás, amizade estendida à toda Família do patriarca Geraldo Pinheiro, grande futebolista guidovalense.

(A história sobre o Marcílio está apenas começando. Irei dar continuidade muito em breve. Tenho muito a contar sobre o meu irmão. Aguardem...)

































quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Estão acabando com a LAVA-JATO. A quem pode interessar?

Estão acabando com a LAVA-JATO. A quem pode interessar?

DESCONFIO de todos que querem destruir a Lava-Jato.

 Uma síntese da atuação da Lava-Jato.

 Prendeu, julgou e condenou:

- Diversos políticos de alto coturno (deputados, senadores, governadores, ministros, ex-presidente), tesoureiros de partidos.

- Empresários e executivos de grandes empresas como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, J&F/JBS, dentre outras.

- Funcionários e presidentes de estatais como a Petrobras e Banco do Brasil.

Publicitários, Doleiros, agentes públicos.


http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/lava-jato/resultados













terça-feira, 1 de setembro de 2020

Se Essa Rua Fosse Minha... (escrito pelo poeta José Francisco Barbosa)

 

Se Essa Rua Fosse Minha...

(à minha neta Júlia, fonte de minha inspiração)

 

(escrito pelo poeta José Francisco Barbosa)

 

Ao ver minha neta ninando sua boneca com a cantiga acima, por alguns instantes, meus pensa­mentos vagaram. A caixa filmadora e gravadora de meu cérebro rodaram rapidamente à minha frente. Assisti ao filme. Eu era espectador e protagonista. Não há cortes. Era julho. Esquina do Sr. Dionísio empoeirada. Um mastro com a imagem de Nossa Senhora Sant’Ana tremulando no alto. Uma fogueira recheada com algumas batatas doces. Alguns esperando que da fogueira restem apenas brasas para pisá-las com os pés nus, numa demonstração de sua fé.

O comando do Benedito no mais autêntico congado. Gorros enfeitados de espelhos redondos, espadas reluzentes ao clarão do fogo.

Encostado à parede da casa do Dr. Mário, uma barraca com chocolate, quentão e canjica. No bar do Caputo, alguém pede "mais uma". Desço um pouco pelo Fundão. Paro num salão de piso de tábuas corridas, onde o perfume indefinível faz parte de mim, assim como é o cheiro de minha carteira do Grupo Escolar Mariana de Paiva, friccionada pela borracha de apagar. Não sai.

Neste salão, admiro um velho, cuja cabeça me parecia uma pluma suave, valorizada por um sorriso aberto e umas mãos mágicas rodeado de uma platéia. Que platéia! Cada um patrocinava um convidado. Terezinha Reis, Sô Odilon, Zé do Gil, Bigica, Márcio Barbosa, Sô Lau, Landim, Mundico, Manga Rosa, Renatinho, Bebeto e tantos outros, que como ninguém, valorizavam o deslizar dos dedos de um artista nas cordas de um violão, de um violino ou de um banjo com suas vozes suaves e encantadoras. Saudades de vocês, Sô Nilo, Sô Odilon... E o filme desce um pouco mais pelo Fundão quando vejo uma placa "Cartório de Paz". Sinto-me envolvido no calor do ventre materno. Que delícia! Foi ali, lá em cima, onde respirei o primeiro ar com meus pulmões. Vovó Elisa, ainda sinto o deslizar de suas mãos abençoadas em meu corpo. O filme e o tempo passam neste lugar. As brincadeiras com o Babá (onde você está?), o cheiro deixado pelos primeiros baldes de água jogados na rua pelo Jésus Ribeiro para eliminar a poeira, as noites bem disputadas de buraco com Sr. Sebastião Vieira, as nossas confidências, Élvia. O tio Nely a me colocar dentro de um pneu dando-me aquele impulso Fundão abaixo... Que maravilha.

Ainda é julho e bem lá embaixo no Fundão, ouço uma música de qua­drilha e a voz cadente, encanta­dora, entremeada de boas expres­sões em francês, marcando a quadrilha. Seu Antônio Queiroz, como isto me marcou! Quanto ciúme me causava o "cada um com seu par" de meu primeiro amor (ela não sabia).

De repente, sinto um cheiro gos­toso de remédio manipulado. Lá de dentro, surge um homem alto, mãos limpas, conversa agradável, conheci­mento de tudo. Era nossa consulta. Era nossa enciclopédia. Seu Trajano, onde está aquele banquinho?

Eu adormeci. Fiquei a vaguear. Sonhei. Defrontei-me com o "Espírito Perfeitíssimo, Eterno, Criador do Céu e da Terra" que você, Tia Sinhá, havia me apresentado aqui e que aprendi a amar.

Repetidas vezes, minha neta cantava: "se essa rua, se essa rua fosse minha / eu mandava, eu mandava ladrilhar / com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes / para o meu, para o meu amor passar".

Acordei lentamente. Nos lábios eu tinha uma expressão de felicidade.

No travesseiro, encontrei umidade. Meus olhos merejavam.



terça-feira, 28 de julho de 2020

Thaís Ribeiral Vieira Condessa


Thaís Ribeiral Vieira Condessa

Quarenta anos atrás, às 13:50h do dia 28/07/1980, nasceu a nossa filha Thaís. O maior presente que DEUS poderia nos ter proporcionado. É filha única, a mais velha, a mais nova, única.
Ao longo destes anos, Thaís, tornou-se Ribeiral, mirando-se no exemplo da Matriarca Dona Lourdes, dos tios Marta, Zuleika, Luiz Antônio, Dilermando, Olga, Adauto, Meire e Alexandre, na convivência com os primos e primas tão queridos, uma grande irmandade.
E a sua personalidade foi se construindo ao conviver com o Vovô Zizinho, a Vovó Tita, os tios Ângela, Sueli, Meire, Zezé e Marcílio; além dos primos, a confraria dos Vieira.
Em 2017, casou-se com Luís Fernando, virando uma Condessa. E agora temos a Thaís Ribeiral Vieira Condessa, uma nobre cidadã que nos enche de orgulho.
Ao longo desta caminhada, por onde passa, vai reunindo amigos. Da Rua Cardoso, a Família Santiago Chaves; Ballet do Joaquim Ribeiro, Colégio Arnaldo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) onde fez graduação, especialização, mestrado e leciona (professores, colegas e alunos), UFMG onde fez o doutorado, clínicas odontológicas onde trabalha, Clube Palmeiras de BH, quintal da sua infância e hoje é conselheira, nas praias de Caraíva, na cidade de Guidoval nas férias, feriados (Festa de Santana, Festival Gastronômico e da Manga). Católica, participa do Encontro de Casais com Cristo na Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
A Thaís adora festas, barzinhos, praias, encontros, reencontros; e claro, o Clube Atlético Mineiro, GALO forte vingador.
Tentamos retratar um poquinho disso tudo neste vídeo. Não foi possível registrar, catalogar, todos os amigos que a Thaís foi colecionando ao longo deste tempo. Pedimos escusas por todas as omissões. Numa outra oportunidade resgataremos estas falhas.
FAMÍLIA E AMIGOS são os TESOUROS que a vida nos reserva. E isto a Thaís tem, e muitos, e da melhor qualidade.
Parabéns, filha! Que Deus continue lhe abençoando, protegendo e iluminando a sua vida.

Com AMOR, seus pais,

Lourdes e Dé (28/07/2020)

 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O DUELO (publicado no jornal Saca-Rolha - Edição Nº 12 – 27/08/1977)


O DUELO
(publicado no jornal Saca-Rolha - Edição Nº 12 – 27/08/1977)

Negra e fria noite de um mês que bem poderia ser dezembro ou agosto. Necessidade de chuva, milharal ou plantação de cebola a ressentir. Sei não... Projeto de lua nova, fim de minguante. Qualquer coisa assim, data que não me recordo com precisão. Dias desses - melhor dizendo - noite dessas opacas e omissas, não fosse o encontro que tentarei narrar.
Lá pelas bandas da Cachoeira, vindo de caminhos opostos, seguindo por estradas diferentes, defrontaram-se a "Cultura" e a "Política".
A Cultura de bengala, cansaço visível diante de uma luta inglória. A Política de guarda-chuva em punho, colete e "sobretudo" distribuindo sorrisos e promessas.
Há muito os dois se evitavam. Um por sentir as suas esperanças à porta da miséria, o outro por não ter como se explicar. Como tudo tem seu dia, o inevitável aconteceu.
Enfim a Cultura e a Política cara-a-cara, resmungos e caretas, cuspidelas no chão... Diálogo de envergonhar Camões e Bilac, de fazer inveja a Bocage e ao Quirino. Nome de mãe, ir-e-vir a lugares incomuns tornou-se a tônica da conversação. Não fosse a intervenção do Espião, sempre presente nos locais improváveis, haveria morte.
Aparteando-os e tentando controlá-los, o Espião contou com a pronta colaboração do Sapé, caminhante incansável nas madrugadas em busca de inspiração e sossego.A única saída plausível e aceitável foi marcar um duelo no estilo antigo e clássico.
Consideraram como local mais indicado, a saída da antiga estrada para Ubá, pouco após da gameleira centenária, na primeira curva. Como padrinho de arma a Cultura escolheu o Ateneu Sapeense, a Política a AREG. Para testemunhas convidaram A VOZ DE GUIDOVAL, MARLIÈRE, GUIDOVALENSE, SAPÉ, O APÓSTOLO, JORNAL DE GUIDOVAL, SACA-ROLHA, SAPEENSE, TURUNAS e o ESPIÃO.
Ninguém queria aceitar a responsabilidade de ser o juiz deste evento. Com muito custo, após vasta argumentação o Chopotó concordou, porém com uma ressalva: - Serei o juiz desde que eu possa ficar a uma distância considerável. Não quero perturbar o meu curso pacato, não desejo complicações com a polícia, já que tais "encontros" são proibidos por lei. Aliás, isto muito contribuiu para que o duelo não fosse preparado e badalado pelos arredores, o que ocasionou a ausência de curiosos.
No dia determinado, que não posso precisar, verão ou outono, todos marcaram presença. As testemunhas, os padrinhos de arma e o juiz Chopotó a uma certa distância, como combinado.
A Cultura chegou um pouco mais cedo, a Política atrasou um pouco devido a burocracia. Num clima de suspense e inquietação a Cultura escolheu como arma a "palavra", à política ficou com a "meia-palavra".
O Chopotó deu o sinal de longe, numa época em que a poluição em nome do progresso não o agredia. Contaram-se os passos.Viraram-se ao mesmo instante.
A Cultura mais rápida lançou no ar: “Inútil!
Não afetou e nem tampouco sensibilizou a política. Esta por sua vez, milésimos de segundos depois, antes mesmo que o eco se consumisse (inútil) no vale vociferou: “Fé-da-pu...
Foi o bastante para fulminar a Cultura.
Acorreram-se todos juntos à Cultura. Mas nada havia a fazer. Constataram-se o óbvio e o óbito.
Marcaram o enterro para o dia seguinte. Entretanto na hora de mudar a roupa da Cultura, o seu fiel amigo Saca-Rolha, percebeu leve pulsação. Não divulgou o fato para não causar impacto, alvoroço.
A cultura não estava morta e sim num estado de catalepsia.
De comum acordo o Saca-Rolha e o Espião, sempre sabendo das coisas, resolveram escondê-la em local adequado, para que mais tarde pudesse ser medicada.
No caixão colocaram cinzas e não deixaram que ninguém o abrisse no velório para o último adeus.
A Política e a politicagem fizeram quarto entre lágrimas de e fingimento.
Houve o enterro, sino, choro e missa. Só ninguém sabia, exceto o Saca-Rolha e o Espião, que estavam enterrando as cinzas da ignorância.
Hoje algumas pessoas idealistas andam à procura de médicos e enfermeiros que consigam tirar a Cultura deste estado de catalepsia.
O local onde sucedeu o duelo o povo resolveu denominá-lo de "Curva da Morte".

Verbetes para quem não conhece Guidoval
Quirino - Personagem da vida guidovalense capaz de recitar palavrões que nem o Aurélio conseguiu registrar.

AREG - Nome da iniciativa de se construir um clube social, que não passou de alicerces e estruturas fantasmas.

Chopotó - Rio que banha e adorna a cidade

Ateneu Sapeense - Teatro-lítero-musical que existiu em Guidoval.

Turunas e Sapeense - Clubes carnavalescos antigos.

A Voz de Guidoval, Marlière, Guidovalense, Sapé, O Apóstolo Espião, Saca-Rolha, Jornal de Guidoval - são jornais antigos que já circularam em Guidoval.
(escrito por Ildefonso Dé Vieira)