quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pronunciamento do Senador Aécio Neves (05/11/2014)

Pronunciamento do Senador Aécio Neves

Plenário do Senado Federal - Brasília – 05/11/2014

Retorno hoje à tribuna, ao lado de tantos dos nossos companheiros, para falaraos brasileiros pela primeira vez, desde que se encerrou a campanha eleitoral que enfrentamos este ano.

Antes de qualquer outra ponderação, devo afiançar-lhes: sinto-me especialmente gratificado e feliz!

Vivi uma das jornadas mais importantes de toda a minha trajetória política, de toda minha vida – a mais difícil e desafiadora que um homem com responsabilidade pública pode protagonizar.

Estou agradecido e honrado pela manifestação de mais de 51 milhões de brasileiros de todas as nossas regiões, de todos os municípios, de todas as idades e classes sociais, que viram na nossa candidatura a possibilidade de construir um caminho melhor para o Brasil.

Um caminho para mudar de verdade o Brasil.

É com esse sentimento e consciente de minhas graves responsabilidades que retorno a esta Casa e venho a esta tribuna. E retorno com convicções ainda mais sólidas.

Nos últimos meses, representando inclusive muitos de vocês, representando inclusive muitos dos senhores que aqui estão e milhões de brasileiros que nos ouvem hoje, me coloquei como alternativa na defesa de um Estado mais eficaz. Um Estado moderno, que valorizasse a transparência, reconhecesse a meritocracia e, sobretudo, zelasse pelo bom destino do dinheiro público e prestação de serviços de qualidade à população.

Defendi a retomada das reformas para modernizar nossa economia e retirá-la da paralisia e do marasmo em que o atual governo a colocou.

Comunguei, junto com milhares de brasileiros, em especial com Marina Silva e Eduardo Campos, a agenda do desenvolvimento sustentável, a transição rumo à economia de baixo carbono, caminho que se mostra cada vez mais imperativo se quisermos construir um futuro adequado para nossos filhos e netos.

Advoguei em todas as partes do Brasil a necessidade da maior participação do investimento privado na construção da infraestrutura para que deixássemos deser aprisionados por uma visão ideológica estatizante e ultrapassada.

Defendi a manutenção e avanços nos nossos programas sociais, para que pudessem servir melhor à população e sair definitivamente da perversa exploração eleitoral a que foram mais uma vez submetidos.

E propus a reaproximação do Brasil ao resto do mundo, ao qual demos as costas nos últimos anos ao priorizar as parcerias com governos ideologicamente alinhados.

Também, senhoras e senhores, me posicionei na firme na defesa de valores que foram aviltados dia após dia; na busca da recuperação da ética atropelada pelo vale-tudo político; na preservação do interesse público, tão vilipendiado por interesses privados e partidários; e no combate sem tréguas à corrupção, que atinge níveis como nunca antes se viu no país.

Ao atual estado de coisas, mais de 50 milhões de brasileiros, senhores senadores, disseram não.

E disseram “não” porque buscavam e sonhavam, como continuando buscando e sonhando, com um país melhor, um país verdadeiramente justo, mais honesto, mais equilibrado e um governo que seja mais eficiente e aja com maior decência.

Porque acreditam que o rigor da lei deve atingir a todos.

Estes milhões de cidadãos que marcharam conosco também compartilham da nossa visão de que o atual modelo político encontra-se esgotado, degradado pelos atos daqueles que nos governam há mais de uma década.

Assim como nós, também perceberam que convivemos hoje com um modelo econômico estagnado, desequilibrado, cada vez mais isolado do mundo, com um Estado pesado e pouco produtivo.

Aos apoios e tantos foram eles que recebemos foram se somando muitosoutros, e pouco a pouco nossa candidatura deixou de ser apenas a de um partido político, de uma coligação partidária, para se tornar um movimento como poucas vezes se viu na história brasileira.

Perdemos as eleições por uma pequena diferença, mas algo de novo,novíssimo aconteceu no Brasil: a chama da renovação se acendeu e continua mais forte do que nunca, ultrapassando o tradicional marco do processo eleitoral. 

Sinto nas ruas, nas conversas e tenho certeza que os senhores da mesma forma percebem isso, nas redes sociais, que o ânimo da população por uma verdadeira mudança, por um novo rumo, não esmoreceu.

Tenho a dizer a todos e a cada um de vocês: nosso projeto para o Brasil continua mais vivo do que nunca.

Senhoras e Senhores. Parlamentares que lotam este plenário. Travamos nestas eleições uma disputa desigual. Uma disputa em que os detentores do poder usaram despudoradamente o aparato estatal para se perpetuarem, por mais quatro anos, no comando do país. Esta é a verdade.

Adotou-se um vale-tudo nunca antes visto na nossa história. Nossos adversários cumpriram o aviso dado ao país, de que nas eleições se pode “fazero diabo”. E fizeram.

Mostraram que não enxergam limites na luta para se manter no poder. A má-fé com que travaram a disputa chegou às raias do impensável, do absurdo. E agrediu a consciência democrática do país.

Primeiro atingiram Eduardo Campos, depois Marina Silva e, por último,fui eu o seu alvo preferencial. Mais grave ainda, espalharam o medo entre pessoas humildes, manipularam o sentimento de milhares de famílias, negando-lhes o livre exercício da cidadania.

Esta intimidação e esta violência só têm paralelos em regimes que demonstram muito pouco apreço pela democracia. Nesse vale-tudo eleitoral, legitimaram acalúnia e a infâmia como instrumentos da luta política. Usaram a mentira para tentar assassinar reputações.

Acrescentou-se ao cenário do uso vergonhoso da máquina pública, simbolizado emblematicamente pela atuação dos Correios, essa grande empresa brasileira. E aqui peço licença para saudar os seus funcionários e agradecer as inúmeras manifestações de solidariedade que deles recebemos na luta contra esse crônico aparelhamento da empresa.

Neste caso, viu-se o inimaginável, que resume um pouco de tudo o que aconteceu: de um lado a postagem de correspondências da candidata do PT sem chancela, significa que, na prática, nunca o Brasil saberá qual volume depropagandas do PT foi efetivamente enviado sem pagamento.

De outro lado, a não-entrega de milhares de correspondências pagas pelos partidos de oposição, e deixo aqui mais uma vez nesta tribuna, constatada esta denúncia como as enviadas pelo PSDB e o Solidariedade não chegaram aos seus destinatários. E essas violações são objeto hoje de ações protocoladas por nós na Justiça Eleitoral e na Procuradoria da República.

Mas não foi apenas isso. A anti-política também assumiu a face do medo que fez milhões de brasileiros reféns da insegurança.

Vejam os senhores, aonde chegaram: Sabe disso o senador Cássio Cunha Lima e tantos outros brasileiros. Nas regiões mais pobres do país, carros de som espalhavam que 13 era o número para permanecer no Bolsa Família e 45 o número para se descredenciarem do programa.

Famílias receberam ligações e mensagens dizendo que se a oposição vencesse, o programa Minha Casa, Minha Vida seria extinto.

Funcionários de empresas estatais foram informados de que iríamos privatizar empresas e que seriam todos eles demitidos!

No geral, o que se assistiu foi uma campanha baseada no estímulo ao ódio – um projeto amesquinhado e subordinado ao marketing do medo e da ameaça.

Tentaram, a todo custo, dividir o país ao meio, entre pobres e ricos,entre Nordeste e Sudeste como se não fôssemos, e esse fosse o nosso mais valioso patrimônio, um só povo, um só país, uma só esperança de temposmelhores.
*
A vitória do PT alavancada através desses expedientes explica o grande sentimentode grande frustração que tomou conta de milhões de brasileiros após oresultado.

Mesmo enfrentando tudo isso, e esta para mim é a questão mais relevante, o sentimento de mudança que moveu a candidatura das oposições que tive a honra deliderar alcançou um resultado magnífico.

Reconhecemos o resultado das eleições. Sou um democrata. E aqui não se trata mais de contar votos, de fazer comparações, ou medir desempenho apenas do ponto de vista eleitoral.

Mais importante que tudo isso é saudar o novo país que surgiu das urnas. E esse é o fato mais marcante, extraordinário e maravilho dessas eleições que a história haverá de registrar: nós assistimos ao despertar de um novo país. Um país sem medo. Um país crítico. Um país mobilizado. Um país com voz e convicções.

Um país que não aceita mais o discurso e a propaganda que tenta sem prejustificar o injustificável. Que tenta esconder a realidade.

O Brasil que saiu das urnas é um novo Brasil, onde os brasileiros descobriram que podem eles próprios serem protagonistas do seu próprio destino.

Por todas as regiões, milhares de pessoas ocuparam as ruas de forma espontânea. Não apenas para apoiar um nome, mas uma causa. Os brasileiros, senhor presidente e senhores senadores, perderam o constrangimento de dizer aquilo que não concordam, que não aceitam, que não pactuam. E eles não pactuam mais com a corrupção, com o desmando e com tanta ineficiência.

Ocuparam as ruas para mostrar que sabem o que está acontecendo com oBrasil e que não vão permanecer mais em silêncio.

Nessa campanha eleitoral, milhões de brasileiros, e a história registrará isso de forma muito clara, tomaram posse do seu próprio país. Os exemplos estão por todos os cantos.
Estão nos idosos e quantos foram aqueles com quem me encontrei ao longo desta caminhada, de 80 ou de mais de 90 anos de idade, que me diziam que faziam questão de ir às urnas para ajudar a fazer a mudança.

Nas crianças que me enviaram desenhos e mensagens por toda a parte dopaís querendo participar deste processo que significa na verdade a construçãodo seu próprio futuro.

Este país se fez ver nos debates que tomaram as escolas e universidades de todo país.
Nos jovens que ocuparam de forma pacífica e alegre as ruas de todo Brasil. Nas correntes de oração que uniram milhões de brasileiros.

E me emociono de lembrar de muitas delas. Das freiras clarissas, que ouviam os nossos debates de joelho acreditando num país melhor para todos os brasileiros. 

Ao final, acredito sinceramente que esta campanha permitiu o reencontrodos brasileiros com o país que ainda sonham ter e sonhamos ser.

Me sinto particularmente honrado em ter podido ser parte desse movimento.E com a mesma firmeza com que falei aos brasileiros e os convoquei a darem voz à sua indignação e à sua esperança, saúdo neste momento, mais uma vez a todosos brasileiros, mas especialmente das regiões mais pobres e de forma especialíssima ao Nordeste brasileiro, mas saúdo aqueles que, corajosamente, marcharam ao nosso lado, mobilizados por um único desejo, uma única vontade, um único sonho em comum: o sonho da mudança. A mudança que representa um novo projeto depaís, no lugar de um projeto de poder.

Quero expressar aqui o meu mais irrestrito respeito àqueles que democraticamente fizeram outra opção e deixar minha palavra de agradecimentoaos companheiros do PSDB, do DEM, do Solidariedade, do PTB e dos outros partidos que fizeram conosco essa caminhada.

E agradeço de forma especial aos companheiros do PSB de Eduardo Campos,do PPS, do PV, do PSC, do pastor Everaldo aqui presente, e dissidentes do PMDB,em especial Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Ricardo Ferraço, dentre outros; do PDT de Pedro Taques, Cristovam Buarque e Reguffe; e do PP da grande senadora e amiga Ana Amélia, quero aqui agradecer o privilégio da sua companhia nesta caminhada, do senador Dornelles, e de tantos quantos em partidos que não estão hoje no âmbito da oposição, fizeram fazer prevalecer a sua consciência e a sua responsabilidade para com o país.

Através deles, homenageio, milhares de lideranças políticas, espalhadas por todos os municípios brasileiros que disseram sim à mudança. A essas forças políticas, somaram-se forças da sociedade: sindicatos de trabalhadores, entidades de classe, associações comunitárias, profissionais liberais, médicos, advogados, servidores públicos indignados com o que vêem acontecer em suas empresas.

Mas nada, nada foi mais forte do que a volta dos jovens às ruas para, deforma pacífica, dizer um sonoro “Basta” a tudo que está aí.

Portanto, meus amigos e minhas amigas,

Subi já várias vezes a esta tribuna. Por inúmeras vezes na tribuna da nossa Casa irmã, a Câmara dos Deputados, mas em nenhum momento, com esta carga de responsabilidade.
E quero aqui, do alto desta responsabilidade, reafirmar para que os anais desta casa registrem para a história que, de todas, a mentira foi a principal arma dos nossos adversários.

Mentiram sobre o passado para desviar a atenção do presente. Mentiram para esconder o que iriam fazer tão logo passasse as eleições. Fomos acusados de propostas que nunca fizemos. Assistimos a reiteradas tentativas de reescrever a história, sempre nos reservando o papel de vilões que jamais fomos, e não somos.

No entanto, não demorou muito para que a máscara começasse a cair. O Brasil escondido pelo governo na campanha eleitoral está se revelando a cada dia. Alertei durante todo o processo sobre os riscos da inflação. Perante toda a nação, a presidente insistiu em negar o problema evidente da alta de preços, da carestia. O desenrolar dos fatos mostrou quem tinha razão.

Apenas três dias após as eleições – repito: três dias – o Banco Central elevou os juros já escorchantes da nossa economia e não sei se irá parar por aí...

Para a presidente, em sua campanha, elevar os juros era retirar comida do prato dos mais pobres.

Pois bem, se isso era verdade,foi o que ela fez logo que ganhou as eleições: prejudicando os brasileiros mais carentes. E sabia que iria fazer isso!

O governo escondeu o rombo das contas públicas brasileiras, que registraram em setembro o pior resultado da nossa história: R$ 20 bilhões num único mês! Resultado: desde o início do governo Dilma, a dívida pública brasileira já cresceu mais de oito pontos do PIB apenas nesse período.

Escondeu reiteradamente que havia a urgente necessidade de ajustes, mas agora antecipa que eles deverão ser “duríssimos”, no ano que vem, em meio a um ambiente econômico que já não cresce e que a cada dia gera menos empregos.

Para complicar, o déficit comercial só cresce, indicando problemas flagrantes na competitividade da nossa economia, e o rombo nas contas externas aumenta e nossas taxas de investimentoe poupança só diminuem. Chegamos a ter a menor taxa de nossa economia em décadas.

A candidata oficial também negou a necessidade de reajustar tarifas públicas e, mais que isso, acusou a minha candidatura de estar preparando-os, caso vencêssemos as eleições.

Pois bem, a presidente já está fazendo o que disse que não faria: na próxima semana, teremos o aumento da gasolina e já nesta semana as tarifas de energia sofrerão reajustes que simplesmente anulam toda a redução obtida com a truculenta intervenção havida no setor elétrico nos últimos dois anos.

Sem falar na ameaça, estampada nos jornais de hoje, de que no verão nos esperam apagões de energia. E o mais grave, senhoras e senhores, ao omitir dos brasileiros a verdade, e adiar medidas necessárias a conta a ser paga aumenta exatamente para aqueles que menos têm.

Me orgulho de ter feito uma campanha limpa. Mas isso parece não importar aos donos do poder. Ganhamos,devem estar dizendo, e é isso que importa. 

Quem falou a verdade foi tachado de pessimista, de ser contra o Brasil, e quantas vezes ouvi essas acusações. Mas a história rapidamente mostrou quem tinha razão: esconder, camuflar, virou a rotina deste governo.

Só não conseguiram esconder os escândalos de corrupção porque os delatores que faziam parte do esquema resolveram falar a verdade para diminuir suas penas e todo esforço feito inclusive nesta Casa pra inibir as investigações foi em vão. Os fatos falaram mais alto.

Agora, os que foram intolerantesdurante 12 anos falam em diálogo. Pois bem: qualquer diálogo tem que estar condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros e, principalmente, ao aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo da história deste país, já conhecido como “Petrolão”.

A triste realidade é que o governo não se preparou para controlar a inflação, recuperar o controle fiscal e reduzir nosso desequilíbrio externo para voltarmos a crescer e gerar empregos de maneira sustentável.

O que se observa hoje é um governo ainda sem um plano econômico – aliás, sem plano algum que tenha sido trazido a conhecimento da sociedade brasileira. Exceto pela ameaça de aumento da carga tributária e de mudanças em direitos dos trabalhadores, como o seguro-desemprego – contra os quais desde já nos posicionamos.

Senhoras e senhores. Ainda que por uma pequena margem, o desejo da maioria dos brasileiros foi que nos mantivéssemos na oposição. E é isso que faremos, com o ânimo redobrado.

É isso o que faremos conectados com o sentimento de metade do país que temos hoje a responsabilidade de representar.

Faremos uma oposição incansável, inquebrantável, intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, acompanhar, cobrar e denunciar. Vamos combater sem tréguas a corrupção que se instalou no governo brasileiro.

E, mesmo sendo minoria no Congresso, vamos lutar para que o país possa avançar nas reformas e nas conquistas que precisamos alcançar.

E a nossa prioridade deverá continuar a ser a mesma que teríamos se fossemos governo: sempre os mais pobres, sempre a diminuição das desigualdades que ainda nos envergonham. 

É hora de olhar para frente. De cuidar o presente, para prover o futuro que o Brasil e os brasileiros merecemter.

Três compromissos fundamentais vão orientar a nossa luta: o compromisso com a liberdade, com a transparência e com a democracia. Primeiro, a defesa intransigente das liberdades, em especial a liberdade de imprensa. Segundo, a exigência da transparência em todas as áreas da administração pública. Terceiro, a defesa da autonomia e fortalecimento dos poderes como base de uma sociedade democrática.

E aqui antecipo, que o decreto dos conselhos populares enviado ao Congresso Nacional sem qualquer discussão prévia, deverá ter aqui, no Senado, o mesmo fim que teve na
Câmara dos Deputados, o seja, o arquivo.

Defendo como sempre defendi, aampliação das consultas populares e da participação popular na definição das políticas públicas neste país. Mas isso tem de ser feito em diálogo permamente com os representantes do povo brasileiro e eles estão aqui no Congresso Nacional.

Senhoras e senhores, neste cenário de tão grandes dificuldades esperadas, vamos estar mais firmes do que nunca: vamos cumprir o nosso dever!

Precisamos estarmos atentos aos nossos adversários, que, poucos dias depois das eleições, divulgam um documento oficial que mostra sua verdadeira face: a da intolerância, a da supressão das liberdades, a dos ataques às instituições.

Mais que isso, nossos adversários de novo não se constrangem em propor um projeto que se pretende hegemônico, o oposto daquilo que a democracia pressupõe: liberdade de escolha e alternância de poder.

Não satisfeitos em atacar instituições, em atentar contra a democracia, tentaram carimbar na nossa candidatura características que na verdade retratam a própria ação petista.

Dizem no documento que a minha candidatura representou “o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, anostalgia da ditadura militar”.

Não, senhoras e senhores, esses atributos que jogam sobre mim, na verdade, eles jogam 51 milhões de homens e mulheres que são verdadeiramente atacadas pelo PT neste instante em um documento oficial.

A grande verdade é que nossa campanha respeitou os limites da ética, falou a verdade, defendeu a democracia em todos os instantes e, por isso, conectou-se com toda a sociedade brasileira.

Não, nós não somos isso que querem fazer crer. Somos na verdade, brasileiros de várias matrizes ideológicasque se, de alguma forma, se juntaram, se encontraram, no mesmo campo político,no mesmo projeto, porque este era o projeto melhor para o país.

Senhora e senhores, essas não são,como disse aqui, as características do povo brasileiro. Somos um povo generoso.E a missão da atual e próxima presidente da República, disse isso a ela no telefonema que lhe fiz, logo após a homologação do resultado eleitoral, é exatamente este, maior que qualquer outro, de unir o país, em torno de um projeto de desenvolvimento, mas para isso é preciso falar a verdade. Para isso é preciso encarar nos olhos todos os brasileiros.

Como já disse, e repito mais uma vez, é nosso desejo verdadeiro contribuir para que o país avance através das reformas que os brasileiros há tanto tempo esperam e há tanto tempo buscam,como a reforma política e a tributária.

É hora de o Brasil conhecer as bases da proposta de reforma política do governo até hoje omitida. Porque deverá ser debatida e aprovada nesse Congresso legitimamente eleito e depois sim, submetida através de referendo, ao crivo da sociedade brasileira.

Qualquer outro caminho é mais uma tentativa diversionista para tentar distrair a platéia de outros graves problemas que estamos enfrentando e ainda vamos enfrentar.

É nosso compromisso, senhoras e senhores, transformar o Bolsa Família em política de Estado, para livrar o país, definitivamente, da chantagem eleitoral, que se repete, eleição após eleição, a céu aberto, sem qualquer constrangimento.

Da mesma forma, vamos trabalhar incessantemente para dar à segurança pública patamar de política de estado,para por fim às omissões do governo central nesta área.
Vamos cobrar cada uma das promessas para a melhoria da qualidade da nossa educação básica, ainda tão fragilizada e carente de recursos e esforços convergentes.

É crucial recuperar imediatamente os patamares de investimento em saúde pública, para revertermos o quadro dramático de desassistência em todo o país.

Cobraremos, senhoras e senhores,e este é o nosso papel, deste governo a vigência de um estado que respeite direitos, em contraposição ao flagrante regime de drásticas insuficiências quese abateu sobre o país e penaliza diretamente os mais pobres, os que mais precisam, aqueles que menos têm.

E este talvez seja, senhoras e senhores, o grande desafio do Brasil do nosso tempo: ser uma Nação que garanta direitos dignos dos cidadãos.

O Brasil real exige providências efetivas que resgatem os direitos das pessoas à vida, à dignidade. Basta de tanta omissão. Chega de terceirizar responsabilidades e penalizar estados endividados e municípios à beira do colapso financeiro.

E aqui faço questão de reiterar um dos nossos compromissos mais importantes: a restauração plena da Federação brasileira, engolfada pela incúria do governismo e uma das mais drásticas concentrações de recursos, poder e mando da história republicana na órbita daUnião.

O Brasil exige – e nós cobraremos desse governo - respeito à lógica federativa, o que significa compartilhar decisões e responsabilidades e repartir com mais justiça e equidade os impostos arrecadados com o trabalho dos cidadãos.

Por iniciativa desta casa e saúdo mais uma vez a senadora Ana Amélia, começamos a trabalhar e conseguir avanços nessa direção.

Peço licença para encerrar essas minhas primeiras palavras agradecendo a todos e a cada um dos companheiros, e a cada um deles, com que tive a honra de cumprir essa jornada de amor ao Brasil.

Saúdo, na família de EduardoCampos, de sua esposa Renata e seus filhos, cada família brasileira que uniu gerações no sonho de mudar o Brasil.

Saúdo em Marina Silva a capacidade de priorizar, acima de tudo, o amor ao Brasil. A ela meu imenso respeito pessoal e a certeza de que, mais do que nunca, seu protagonismo se faz necessário para consolidarmos a grande travessia.

Nos companheiros do PSDB, saúdo o encontro e o reencontro com a nossa história, nossos princípios e nossos compromissos com o país.

E me permito homenagear a todos na figura do grande estadista Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República.

Aos nossos aliados, saúdo o desprendimento e a crença inabalável em uma Nação forte, justa, mais igual. A oposição a partir de agora não terá a voz de um líder. Seremos todos porta-vozes de um inédito sentimento por mudanças que galvanizou o país.

E me dirigindo, respeitosamente, aos que venceram essas eleições, e que democraticamente cumprimento, reafirmo que: ao olharem para as oposições no Congresso Nacional, não contabilizem apenas o numero de cadeiras que ocupamos seja no Senado ou na Câmara.

Enxerguem, através de cada gesto, de cada voto, de cada manifestação de cada um dos nossos, a voz estridente demais de 51 milhões de brasileiros que não aceitam mais ver o país capturado por um partido e por um projeto de poder.

É a esses brasileiros que quero garantir ao final, de forma muito clara: nossa travessia não terminou. Nós não vamos nos dispersar.

A cada brasileiro e a cada brasileira que foi às ruas. Que vestiu as cores da nossa bandeira. Que enfrentou as calúnias e constrangimentos de um exército pago nas redes sociais. Que com alegria e esperança defendeu a mudança, a ética e a união dos brasileiros. A cada um de vocês, digo, em nome dos companheiros da oposição, agora e a cada dia dos próximos anos: estaremos presentes. Vamos em frente, juntos sempre, por um Brasil melhor que o Brasil atual!

Muito obrigado.

Foto: Orlando BritoFoto: Orlando Brito

Xô Ditadura!

Às armas contra os que cultivam o germe do arbítrio

Faz bem o PSDB em se demarcar dos órfãos da ditadura.
Ricardo Noblat -

 Aproximem-se prá lá os que pedem um golpe militar para abortar o segundo governo consecutivo de Dilma. 

Procedem assim os ignorantes, irresponsáveis, incautos e os que jamais chegariam ao poder a não ser mediante um golpe.

Maldito o tempo das vivandeiras de quartéis. Assim eram chamados nos anos 50 e 60 do século passado os políticos e civis em geral que assediavam os chefes militares para que interrompessem o Estado de Direito.

Mil vezes um governo do PT eleito pela maioria dos brasileiros do que uma ditadura acanhada ou deslavadamente assumida. 

Só quem não viveu durante uma ditadura para admitir seu restabelecimento.

O Brasil tem mais tempo de regime autoritário do que de democracia. O mais recente deles se estendeu entre 31 de março de 1964 a janeiro de 1985 quando Tancredo Neves se elegeu presidente e Sarney tomou posse.

A ditadura militar matou ou desapareceu com 362 pessoas, segundo a Comissão Nacional da Verdade. Cassou mandatos e direitos políticos de milhares de pessoas. Torturou outros milhares. Infundiu o medo em gerações.

O direito ao habeas corpus foi suspenso. As prerrogativas dos juízes foram suspensas. O Congresso, emasculado. A censura acabou com a liberdade de imprensa. Qualquer pessoa poderia ser presa com ou sem nenhum motivo.

Faz bem o PSDB em se demarcar dos órfãos da ditadura. Faz mal o PT em se valer deles para tentar inibir manifestações legítimas.

Às armas que se amparam em argumentos para combater os que cultivam o germe do arbítrio!
Ditadura nunca mais (Foto: Arquivo Google)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Campanha de REVITALIZAÇÃO das Escadarias em Guidoval



A todos os guidovalenses, em especial à Família Teixeira Magalhães

A Prefeitura de Guidoval está fazendo uma campanha para revitalizar as escadarias da nossa cidade. A prefeitura entra com a mão-de-obra, coordenação e execução dos trabalhos e conta com a colaboração de conterrâneos para a aquisição de materiais.

Já foi revitalizada a “Escadaria Amaro Ramos” que contou com expressiva contribuição da Família Ramos. Esta escadaria fica no prolongamento da Rua Vereador João Cezar de Matos, após a “Escola Estadual Coronel Joaquim Martins”, ligando a parte alta à antiga estrada Rio-Bahia.

Atualmente, estão revitalizando a “Escadaria Prefeito Dilermando Teixeira Magalhães”. Ela liga a Praça Nossa Senhora do Rosário (Rua do Alto) à Rua Maria Flora de Jesus (Maria Benzedeira).

Será feito um trabalho artístico com retalhos de cerâmica (um mosaico), pintura da fachada das casas com a tinta Nova Cor. Será colocado corrimão e iluminação.

            Em seguida será revitalizada a “Escadaria Vasco Cândido do Reis” que fica na Avenida Sebastião Inácio da Costa (Bairro Padre Baião/Trajano Viana), antiga Rio-Bahia.

Os trabalhos estão sob a coordenação da Neuza Maria de Oliveira Bandeira Pinheiro. Quem quiser colaborar com mais este projeto para a melhoria de nossa cidade é só depositar na conta da Prefeitura conforme dados abaixo:

Instituição: Caixa Econômica Federal (104)
Agência: 3750
Conta Corrente: 1324-0
CNPJ: 18.128.215-0001/58
Operação: 013


Eu já fiz a minha contribuição. Qualquer quantia será bem-vinda.

Abaixo, uma síntese biográfica do Prefeito Dilermando Teixeira Magalhães tirada do Site de Guidoval (http://www.devieira.com.br/guidoval.com/gdilerm.htm).




Prefeito Dilermando Teixeira de Magalhães



Prefeito Dilermando Teixeira de Magalhães

Dilermando Teixeira de Magalhães, filho de Joaquim Teixeira Magalhães e Henriqueta Gomes Magalhães, nasceu a 9 de dezembro de 1896 em Rodeiro, nessa época um pequeno distrito da cidade de Ubá.
            Ainda jovem, casou-se com Olga Teixeira Magalhães com quem teve nove filhos: José (Dilermando), Félix (Tito), Maria de Lourdes, Lenira, Salete, Glorinha, Cleto, João e Vera Lúcia.
            Na década de 20, compra uma fazenda em Filgueiras, próximo ao povoado de Grama, povoação pertencente à Juiz de Fora. Ali, começa a cultivar café.
Em 1929, a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque traz imediatos reflexos na economia brasileira. Os preços internacionais do café despencam. A situação é agravada por uma superprodução de café: 30 milhões de sacas.
É assim que a crise de 1930 encontra o fazendeiro Dilermando Teixeira de Magalhães, com menos de 34 anos e já com cinco filhos para criar.
Essa crise leva inúmeros fazendeiros à ruína, dentre eles o Sr. Dilermando. O governo pagava uma mixaria para arrancar e queimar o café.
Perdendo tudo que adquirira com muito trabalho, Dilermando retorna à Ubá, sem saber o que fazer e vai morar na Fazenda de D. Cocota, mãe da sua esposa Olga, lá na região conhecida como Emboque, divisa com as terras do Dr. Ângelo Barleta.
Possuidor de muitos amigos, Dilermando encontra, em Dr. Peluzo, um anjo da guarda, um verdadeiro protetor. Este sabendo de um leilão de uma fazenda (em Sapé de Ubá), em condições muito especiais, dá um lance e a arremata em nome do Dilermando.
A sede da fazenda estava caindo aos pedaços, mesmo assim foi com a esposa e filhos nela morar. A esposa Olga, econômica e trabalhadora, passou um ano sem comprar um metro de pano.
A fazenda tinha muita mata virgem. Dilermando arrumou trabalhadores em Guidoval para derrubar a mata. Só com a venda da madeira pagou o terreno e ainda lhe sobrou algum capital para investir na propriedade.
Passando a conviver no distrito de Sapé de Ubá, logo, logo se fez respeitado e granjeou novas amizades.
A aspiração do pequeno distrito era a sua autonomia administrativa, se transformar em cidade.
Residindo no Sapé, Dilermando acabou envolvendo-se com os anseios dos munícipes.
Sob a liderança do Deputado Levindo Ozanan Coelho, junto com os Vereadores Manoel Reis Moreira (PR) e Astolfo Mendes de Carvalho (PSD) da Câmara Municipal de Ubá, ao lado do Padre Sinfrônino de Almeida e do alfaiate José de Azevedo Costa, o fazendeiro Dilermando Teixeira de Magalhães fez parte da Comissão de Emancipação do Município de Guidoval.
Em de 27 de dezembro de 1948, através da Lei estadual nº 336, criou-se o município de Guidoval coroando-se de êxito os trabalhos dessa comissão.
Em 6 de março de 1949, houve a primeira eleição para Prefeito Municipal de Guidoval. Elegeu-se para Prefeito o Sr. Cid Vieira (PR/UDN) com 953 votos e como Vice-Prefeito Dilermando Teixeira de Magalhães (PR/UDN) com 947 votos. Tomaram posse em 27/03/1949.
Em 26/01/1951 devido a problemas particulares e de saúde o Sr. Cid Vieira licencia-se do cargo de prefeito. Em 27/01/1951 o Vice-Prefeito Dilermando Teixeira de Magalhães assume a prefeitura até 27/03/1953, final desse mandato eletivo.
No recém criado município, tudo necessitava, tudo estava por fazer. Dinâmico, corajoso, determinado e empreendedor, Dilermando pôs "mãos à obras".
Abriu estradas, urbanizou e desobstruiu ruas, construiu e refez pontes, perfurou poços artesianos, iniciou a canalização de água na cidade, instalou escolas rurais, reformou a escola da cidade, deu incentivos fiscais para a criação e instalação de Ginásio Guido Marlière. Isto tudo, mesmo com as enormes dificuldades financeiras do novo município.
Acontece que existia em Guidoval, como de resto em todo país, uma briga política inconciliável entre o PR/UDN e o PSD. A comunidade queria que Dilermando continuasse à frente da prefeitura na próxima gestão.
Dilermando revela-se um político hábil ao condicionar a sua candidatura a prefeito, para o próximo mandato, desde que houvesse a UNIÃO de todas as correntes partidárias do município.
Em 27/04/1952 há uma reunião sem precedentes do PR, PSD, UDN e PTB em que os partidos prometem uma trégua em suas desavenças ideológicas. Esta "UNIÃO PARTIDÁRIA" esta registrada em ATA da Câmara Municipal de Guidoval de 10/06/1952, à página 92A.
O primeiro fruto dessa união partidária em Guidoval acontece quando uma comitiva composta por José Geraldo Vieira (Presidente do PR), Astolfo Mendes de Carvalho (Presidente do PSD), Vereador Sebastião Cruz, Farmacêutico Trajano Viana, Professora Jesuína Simões e liderada pelo Deputado Levindo Ozanan Coelho vai à Belo Horizonte, interceder junto do Governador do Estado de Minas Gerais e às diversas secretarias em busca de melhorias para o município.
Consegue como resultados imediatos: Instalação do Grupo Escolar, criação de Posto de Higiene, autorização para empréstimo à Caixa Econômica Estadual e contrato com a Secretaria de Agricultura para perfuração de poços artesianos.
No dia 28/03/1953 em Sessão solene, a Câmara Municipal de Guidoval dá posse ao Sr. Dilermando Teixeira de Magalhães (Prefeito) e ao Sr. Astolfo Mendes de Carvalho (Vice-prefeito), ambos eleitos pelo Partido Social Democrático. Na ocasião, apresentaram diploma expedido pelo Juiz Eleitoral da 152ª zona do Estado de Minas Gerais.
Encerrou o seu mandato de prefeito em 04/02/1955 realizando inúmeros benefícios e melhorias para a cidade recém-emancipada.
Antes de completar 70 anos, em 8 de junho de 1966, faleceu o Prefeito Dilermando Teixeira de Magalhães.

Principais obras de sua administração
- Rebaixamento da Rua do Fundão (Rua Sete de Setembro) com a Rua dos Tocos (atual Rua João Januzzi)
- Ponte sobre o "Córrego da Lage" entre as ruas Belarmino Campos e Sete de Setembro
- Ponte da Cachoeira (Rua São Vicente de Paulo)
- Incentivo fiscal para construção do prédio do Ginásio Guido Marlière
- Obras na Av. Padre Sinfrônino de Almeida, Praça Major Albino e na Rua Conde da Conceição (atual João Januzzi)
- Execução de obras de urgência da Praça Santana
- "Bolsa de estudo" para o Ginásio Guido Marlière.
- Isenção de Impostos e Taxas, durante 5 anos, ao Prédio do Sr. Antenor Bressan para o funcionamento do Ginásio Guido Marlière.
- Doação de Cr$5.000,00 (cinco mil cruzeiros) à Comissão dos Festejos de MOMO.
- Reparos no prédio que funciona a Escola Onze de Junho.
- Elaboração de Planta urbana da cidade
- Lei sobre "Plano de Urbanização" da cidade, com planta topográfica das ruas, avenidas e praças.
- Verba para o "Albergue de São Vicente de Paulo".
- Criação do "Serviço Especial de Estradas e Caminhos".
- Canalização de água na cidade
- Perfuração de poços artesianos
- Construção do Grupo Escolar Mariana de Paiva
- Instalação de Rede Elétrica na Ponte Raul Soares
- Autorização de crédito de Cr$120.000,00 para compra de um caminhão

Eventos Culturais durante a sua Gestão como Prefeito
- Surgimento em 1953 do jornal "Cidade de Guidoval" sendo Diretor o Sr. Sebastião Cruz e Redator, o Dr. Mário Geraldo Meireles
- Cinema
- Bailes carnavalescos
- Doação de terreno ao Estado para construção de nova escola.
- 2 Bandas de Música

MENSAGEM A GARCIA



MENSAGEM A GARCIA

Esta  insignificância  literária,  "UMA MENSAGEM A GARCIA", escrevi-a uma noite,  depois  do  jantar,  em uma hora.  Foi a 22 de fevereiro de 1899, aniversário  natalício  de Washington (Nota do redator: e de Baden-Powell  ...),  e o número de março da nossa revista "Philistine" estava prestes a entrar  no prelo.  Encontrava-me com disposição para escrever, e o artigo brotou  espontâneo  do  meu coração, redigido, como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual fui tinha procurado convencer alguns moradores um tanto  renitentes  do lugar, que deviam sair de um estado comatoso em que se compraziam, esforçando-me por incutir-lhes radioatividade.
 A  idéia  original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo  meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ter sido  Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba.  Rowan pôs-se a caminho só  e  deu  conta  do  recado - levou a mensagem a Garcia. 
Qual centelha luminosa,  a idéia assenhorou-se de minha mente.  É verdade, disse comigo mesmo,  o rapaz tem toda razão, o herói é aquele que dá conta do recado - que leva a mensagem a Garcia.
            Levantei-me  da  mesa e escrevi "Uma mensagem a Garcia" de uma assentada. Entretanto,  liguei  tão  pouca  importância  a este artigo, que até foi publicado  na  Revista  sem  qualquer  título. Pouco depois da edição ter saído  do  prelo,  começaram  a chegar pedidos para exemplares avulsos do número  de  março do "Philistine":  uma dúzia, cinqüenta, cem, e quando a American  News Company encomendou mais mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico.
 -  "Esse de Garcia"  -  retrucou ele.
No  dia  seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro  Central  de  Nova  York,  dizendo:   "Indique  preço  para cem mil exemplares  artigo  Rowan,  sob forma folheto, com anúncios da estrada de ferro no verso.  Diga também quando pode fazer a entrega".
Respondi  indicando  o  preço,  e  acrescentando  que  podia  entregar os folhetos  dali  a  dois anos.  Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos afiguravam-se um empreendimento de monta.   O  resultado  foi  que  autorizei  o  Sr.  Daniels  a reproduzir o artigo conforme lhe   aprouvesse.    Fê-lo  então  em  forma  de  folhetos, e distribuiu-os em tal profusão que, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram  rapidamente.   Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas  revistas  e  jornais.   Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.
Aconteceu   que,  justamente  quando  o  Sr.  Daniels  estava  fazendo a distribuição  da mensagem  a  Garcia,  o  príncipe Hilakoff, Diretor das Estradas  de  Ferro  Russas,  se  encontrava neste país.  Era hóspede da Estrada   de  Ferro  Central  de  Nova  York,  percorrendo  todo  o país acompanhando  o Sr. Daniels.  O Príncipe viu o folheto, que o interessou, mais  pelo fato de ser o próprio Sr. Daniels que o estava distribuindo em tão grande quantidade, que propriamente por qualquer outro motivo.
Como  quer  que  seja,  quando  o  príncipe  retornou à sua Pátria mandou traduzir  o  folheto para o russo e entregar um exemplar a cada empregado da  estrada  de  ferro  na Rússia.  O breve trecho foi imitado por outros países;  da  Rússia  o  artigo  passou  para a Alemanha, França, Turquia, Hindustão  e  China.   Durante  a  guerra  entre  a Rússia e o Japão, foi entregue  um  exemplar  da  "Mensagem  a  Garcia"  a  cada soldado que se destinava ao front.
Os japoneses, ao encontrar os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram  à  conclusão  de  que havia de ser coisa boa, e não tardaram em vertê-lo para o japonês.  Por ordem do Mikado foi distribuído um exemplar a cada empregado, civil ou militar do Governo Japonês.
            Para  cima  de  quarenta milhões de exemplares de "Uma mensagem a Garcia"  têm sido impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por  qualquer  trabalho  literário  durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

East Aurora, em 1o de dezembro de 1913


Vamos então ao texto de "Uma Mensagem a Garcia"

Em  todo  este  caso  cubano,  um  homem se destaca no horizonte de minha memória  como  o Planeta Marte no seu periélio.  Quando irrompeu a guerra entre  a  Espanha  e  os Estados Unidos, o que importava era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se soubesse precisar  exatamente  onde.   Era  impossível  comunicar-se  com  ele por correio  ou  por telégrafo.  No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes.  Que fazer?
Alguém  lembrou  ao  Presidente:  "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan".
Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia.  De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e após quatro dias, saltou de um  barco sem cobertura, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do  outro  lado  da  ilha,  tendo atravessado a pé um território hostil e entregando  a carta a Garcia - são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente.   O ponto que desejo frisar é este:  Mac Kinley deu
a Rowan  uma  carta  para ser entregue a Garcia; Rowan pegou da carta e nem sequer perguntou:  "Onde é que ele está?"
Hosannahh!   Eis  aqui  um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível  e  sua estátua  colocada em cada escola do país.  Não é de sabedoria  livresca  que a juventude precisa, nem de instrução sobre isto ou  aquilo.   Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se  altivo  no  exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.
O  general  Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias.  A nenhum homem que se tenha empenhado em levar adiante uma empresa, em que a ajuda de  muitos   se  torne  precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero  ante  a  imbecilidade  de  grande  número  de  homens,  ante a inabilidade  ou  falta  de  disposição  de  se  concentrar  a  mente numa determinada coisa e fazê-la.
Assistência  irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal   feito   parecem   ser   a  regra  geral.   Nenhum  homem  pode ser verdadeiramente  bem  sucedido,  salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo,  a  não  ser  que  Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar uma anjo de luz.
Leitor  amigo,  tu  mesmo  podes  tirar  a  prova.   Estás sentado no teu escritório,  rodeado  de meia  dúzia  de empregados.  Pois bem, chama um deles e pede-lhe:  "Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me trazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio".
Dar-se-á  o caso do empregado dizer calmamente:  "Sim, senhor" e executar o que se lhe pediu?
Nada  disso!  Olhar-te-á perplexo e de soslaio para dizer uma ou mais das seguintes   perguntas:  Quem  é  ele?  Que  enciclopédia?   Onde  está a enciclopédia? Fui eu por acaso contratado para fazer isso? Não quer dizer Bismark? E se Carlos o fizesse? Já morreu? Precisa com urgência? Não será melhor  se eu trouxer o livro para o senhor mesmo procurar? Para que quer saber isso?
E  aposto  dez  contra  um  que,  depois  de  haveres  respondido  a tais perguntas,  e  explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por  que  deles  precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude  a encontrar Garcia, e, depois, voltará para te dizer que tal homem não existe.  Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa.  Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho  de explicar ao teu ajudante que "Corrégio" se escreve com "C" e não  com  "K",  mas  limitar-te-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso:   "Não faz mal; não te incomode", e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás  tu  mesmo.   E  esta incapacidade de atuar independentemente, esta  inépcia  moral,  esta  invalidez  da  vontade, esta  atrofia da de disposição  de  solicitamente  se por em campo e agir - são as coisas que recuam  para  um  futuro  tão remoto o advento do socialismo puro.  Se os homens  não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão  quando  o  resultado  do seu esforço redundar em benefício de todos?
Por enquanto  ainda  parece  que  os  homens  precisam ser feitorados.  O que mantém  muito empregado no posto e o faz trabalhar é o medo de que se não o  fizer, ser despedido  no  final  do  mês.   Anuncia  precisar  de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar ? e o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.
Poderá uma pessoa destas escrever uma mensagem a Garcia?
"Vê aquele guarda-livros", dizia-me o chefe de uma grande fábrica.
"Sim, que tem?".
"É  um  excelente  guarda-livros.   Contudo,  se  eu  a mandasse fazer um recado,  talvez  se   desobrigasse a contento, mas também podia muito bem ser  que  no  caminho  entrasse  em duas ou três casas de bebidas, e que, quando  chegasse  ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada".
Será  possível  confiar-se  a  um  tal  homem uma carta para entregá-la a Garcia?
Ultimamente   temos  ouvido  muitas  expressões  sentimentais externando simpatia  para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes  desempregados  à  cata  de trabalho honesto e tudo isso, quase sempre,  entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.   Nada  se  diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para   induzir   eternos   desgostosos   e   descontentes   a trabalhar conscienciosamente;  nada  se  diz  de sua  longa  e paciente procura de pessoal,  que,  no  entanto,  muitas vezes nada mais faz do que "matar"
o tempo,  logo  que  ele  volta  as  costas.  Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostre incapaz de zelar pelos seus interesses, a  fim  de  substituí-lo por outro mais apto.  E esse processo de seleção, por eliminação, está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a  única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a  seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se para fora, para sempre, nos  incompetentes e os inaproveitáveis.  É a lei da sobrevivência do mais apto.
Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar
os melhores? Aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.
Conheço  um  homem  de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra que precisa   para   gerir   um  negócio  próprio  e  que  ademais  se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana de  que  constantemente  abriga  de  que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo.  Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande.
Se lhe  fosse  confiada  uma  mensagem  a  Garcia  retrucaria provavelmente:
  "Leve-a você mesmo".
Hoje  este  homem  perambula  errante pelas ruas em busca de trabalho, em  quase  petição de miséria.  No entanto, ninguém que o conheça se aventura a  dar-lhe  trabalho  porque  é a personificação do descontentamento e do espírito  de  réplica.   Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo.   Sei,  não  resta  dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este, não  é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que  se  esforçam  para levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho  não  estão  limitadas  pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente  encanecidos  na  incessante  luta em que estão empenhados contra  a  indiferença  desdenhosa,  contra  a  imbecilidade crassa  e a ingratidão   atroz,   justamente   daqueles   que,  sem  o  seu espírito empreendedor andariam famintos e sem lar.
Dar-se-á  o  caso  de  eu  ter  pintado  a  situação  em  cores demasiado carregadas?   Pode ser que  sim;  mas,  quando  todo  mundo se apraz em divagações  quero  lançar  uma  palavra  de simpatia ao homem que imprime êxito  a  um  empreendimento, ao  homem que, a despeito de uma porção de empecilhos,  sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo,   talvez   verifique   que   nada  ganhou;  nada, salvo  a sua subsistência.
Também  eu  carreguei  marmitas e trabalhei como jardineiro, como, também tenho sido patrão.  Sei portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.
Não  há  excelência  na  pobreza  de  per  si;  farrapos  não  servem de recomendação.   Nem  todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.
Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer  o  patrão esteja, quer não.  E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta  para  Garcia,  tranqüilamente  toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas,  e  sem  a  intenção  oculta  de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar,  ou  praticar  qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário,  esse  homem  que  nunca  fica  "encostado"  nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.
A  civilização  busca  ansiosa, insistentemente, homens nessas condições. Tudo  que  um tal homem pedir, ser-lhe-á de conceder.  Precisa-se dele em cada  cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina,  em  cada  loja,  fábrica  ou  venda.   O grito do mundo inteiro precisamente  se  resume nisso:  Precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

Helbert Hubbard

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sandra Starling – uma mulher de coragem e caráter



Sandra Starling – uma mulher de coragem e caráter

Fundadora do PT,  ex-deputada federal Sandra Starling, Ministra do Trabalho no governo Lula, condecorada com a Medalha do Mérito Naval Almirante Tamandaré, Sandra Starling diz que é preciso ter coragem para enfrentar os 12 anos de governo “em que o PT se julgou a consciência política do Brasil”, mas foi tão corrupto quanto os demais.

Publicou no jornal O TEMPO, onde escreve regularmente, o artigo Meu voto critico em Aécio é um veto ao voto a Dilma”.

A ex-líder do partido na Câmara disse que a censura sobre o IPEA foi a gota d’água. Segundo ela, os dados do IPEA tornariam oficial o que todos já sabem “a desigualdade social não diminuiu” e a lógica da presidenta Dilma é a mesma do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto que pregava esconder números que não favorecem o governo.

Militante do PT por mais de 30 anos, a professora, advogada e cientista política Sandra Starling desfiliou-se do partido que ajudou a fundar após a direção nacional da legenda impor, em 2010, ao ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel que cedesse a candidatura ao governo de Minas ao senador Hélio Costa (PMDB).

Starling, que foi a primeira mulher a disputar o governo mineiro e já se elegeu deputada estadual e federal pelo PT, afirma que o partido agora está refém de algumas pessoas que ocupam a executiva nacional e, principalmente, das vontades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquela época, justificou em artigo, a decisão dizendo que não se curvará "à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos".

- Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima - afirmou.

Em entrevista ao GLOBO, a ex-petista diz que deixou o partido "com a dor da mãe que deixa um filho", mas afirmou que não haveria mais condição de permanecer na legenda após a imposição em nome da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência - o PMDB teria exigido a candidatura em Minas como condição para apoiar a ex-ministra.
- A decisão foi tomada na cabeça do Lula. Isso é caudilhismo e ditadura, com a justificativa de permanecer na Presidência. Mas é preciso permanecer na Presidência para melhorar o que está aí. Não para piorar – disparou.

O PT vai destroçando, e abandonando, os companheiros ao longo do caminho.
Lembrarei de apenas alguns, emblemáticos, como o Hélio Bicudo, Fernando Gabeira, Heloisa Helena e Marina Silva.

Votarei, convicto, no Aécio, assim como criticamente votará a Sandra Starling, cujo artigo transcrevo abaixo:


MEU VOTO CRÍTICO EM AÉCIO É UM VETO AO VOTO A DILMA

Sempre gostei de aprender.

E ontem aprendi com o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, que resolveu, ao contrário de mim, dar um voto crítico em Dilma e um veto ao Aécio. Lembrei-me do tempo em que juntos lutamos (nós e o PSDB) contra o Collor e fizemos o abraço na Av. do Contorno e na campanha de vestir- se preto contra o Presidente que sofreu o impeachment.

Vou fazer o contrário do Freixo. Quero ter a coragem de enfrentar esses 12 anos em que o PT se julgou a consciência política do Brasil e no qual fez e aconteceu como os demais, em tudo, – para , afinal, me deter na censura ao IPEA porque o IPEA, órgão do próprio governo, não demonstrou o que todos os que pelejam para entender este país já percebiam: a desigualdade social não diminuiu a ponto de ser significante do ponto de visto estatístico – logo, na lógica da Dilma Rousseff, que se parece à de Delfim Netto na ditadura, deve-se esconder os dados que não são a favor do partido que nos agrada.

Não compactuo com esse tipo de método.
Fiz uma oposição consciente e determinada ao governo de FHC, quando fui líder do PT na Câmara dos Deputados. O resto de minha história não tem a menor importância. Ia, inclusive, usar meu direito de ser “idiota”- como diziam os atenienses e deixar de votar. Mas não vou me abster.

Vou votar no Aécio, com todo o medo que ele me causa de que venha a aumentar o peso da exclusão sobre os trabalhadores, as mulheres, os homossexuais, aqueles excluídos enfim – mas não vou me calar diante das mentiras que a Dilma vem assumindo.

Qualquer que seja o resultado, para mim, terei cumprido meu dever de brasileira: arrisquei a perder ou a ganhar – para os outros que sofrem, não para mim, porque nada tenho a perder.

Bom voto a todos no domingo.
(Sandra Starling, fundadora do PT, foi deputada federal e líder da bancada petista na Câmara.)