sábado, 27 de fevereiro de 2021

O que é fascismo? — (da coluna As I Please) por George Orwell

 

O que é fascismo? (da coluna As I Please) por George Orwell

 

De todas as perguntas não respondidas sobre nossa época, talvez a mais importante seja: “O que é fascismo?”.

 

Uma das organizações americanas de pesquisa social fez recentemente essa pergunta a cem pessoas diferentes e obteve respostas que foram desde “democracia pura” até “demonismo puro”. Neste país, se se pedir a uma pessoa medianamente esclarecida que defina o fascismo, ela em geral responderá apontando os regimes alemão e italiano. Mas isso é muito insatisfatório, porque mesmo os grandes Estados fascistas diferem em boa medida um do outro em estrutura e em ideologia.

 

Não é fácil, por exemplo, encaixar a Alemanha e o Japão num mesmo contexto, e isso é ainda mais difícil em relação a alguns dos pequenos Estados que se poderiam descrever como fascistas. Com frequência supõe-se, por exemplo, que o fascismo é inerentemente belicoso, que ele prospera num ambiente de histeria bélica e só pode resolver seus problemas econômicos mediante preparativos para a guerra ou conquistas no estrangeiro. Mas isso claramente não é verdadeiro no que tange, digamos, a Portugal ou a várias ditaduras sul-americanas. Ou, ainda, o antissemitismo é tido como uma das marcas distintivas do fascismo; mas alguns movimentos fascistas não são antissemitas. Controvérsias eruditas que reverberaram por anos sem fim em revistas americanas não foram capazes nem mesmo de determinar se o fascismo é ou não uma forma de capitalismo. Mas, ainda, quando aplicamos o termo “fascismo” à Alemanha ou ao Japão ou à Itália de Mussolini, sabemos amplamente a que estamos nos referindo. Foi na política interna que essa palavra perdeu o último vestígio de um significado. Porque, se examinar a imprensa, você verá que não existe quase nenhum grupo de pessoas — certamente não um partido político nem um corpo organizado de nenhum tipo — que não tenha sido denunciado como fascista durante os últimos dez anos.

 

Não estou me referindo aqui ao uso verbal da palavra “fascismo”, estou me referindo ao que tenho visto impresso. Tenho visto os termos “simpatizante do fascismo”, “de tendência fascista” ou simplesmente “fascista” aplicados com toda a seriedade aos seguintes grupos de pessoas:

 

Conservadores: todos os conservadores, apaziguadores ou antiapaziguadores são tidos como subjetivamente pró-fascistas. O governo britânico na Índia e nas colônias é tido como indistinguível do nazismo. Organizações de um tipo que poderia ser chamado de patriótico e tradicional são rotuladas como criptofascistas ou “de mentalidade fascista”. Exemplos disso são os Escoteiros, a Polícia Metropolitana, o MI5,(1)  a Legião Britânica. Frase típica: “As escolas públicas são terreno fértil para o fascismo”.

 

Socialistas: defensores de um capitalismo de estilo antigo (exemplo, sir Ernest Benn) sustentam que socialismo e fascismo são a mesma coisa. Alguns jornalistas católicos afirmam que os socialistas têm sido os principais colaboracionistas nos países ocupados pelos nazistas. A mesma acusação é feita de um ângulo diferente pelo Partido Comunista durante suas fases ultraesquerdistas. No período 1930-5 oDaily Worker referia-se habitualmente ao Partido Trabalhista como os Labour-Fascistas. Isso foi ecoado por outros extremistas de esquerda, como os anarquistas. Alguns nacionalistas indianos consideram os sindicatos britânicos como organizações fascistas.

 

Comunistas: uma considerável escola de pensamento (exemplos, Rausching, Peter Drucker, James Burnham, F. A. Voigt) recusa-se a reconhecer a diferença entre os regimes nazista e soviético e sustenta que todos os fascistas e comunistas visam aproximadamente à mesma coisa e são até, em certa medida, as mesmas pessoas. Líderes no The Times (pré-guerra) referiram-se à URSS como “um país fascista”. De novo, isso é ecoado, por outros ângulos, por anarquistas e trostkistas.

 

Trotskistas: os comunistas acusam os trotskistas propriamente ditos, isto é, a organização do próprio Trótski, de serem um órgão criptofascista sustentado pelos nazistas. A esquerda acreditava amplamente nisso durante o período da Frente Popular. Em suas fases ultradireitistas, os comunistas tenderam a fazer a mesma acusação a todas as facções à esquerda deles mesmos, como a Common Wealth ou o Partido Trabalhista Independente.

 

Católicos: fora de suas próprias fileiras, a Igreja Católica é quase universalmente considerada pró-fascista, tanto em termos objetivos como subjetivos.

Os que resistem à guerra: pacifistas e outros oponentes ao conflito com frequência são acusados não só de tornar as coisas mais fáceis para o Eixo, como de manifestar sinais de um sentimento pró-fascista.

 

Os que apoiam a guerra: os que resistem à ideia de uma guerra usualmente baseiam sua posição na alegação de que o imperialismo britânico é pior do que o nazismo, e tendem a aplicar o termo “fascista” a qualquer um que queira uma vitória militar. Os que apoiaram a Convenção do Povo chegaram perto de proclamar que a vontade de resistir à invasão nazista era um sinal de simpatia pelo fascismo. A Home Guard foi denunciada como organização fascista assim que surgiu. Além disso, toda a esquerda tende a equiparar militarismo com fascismo. Soldados rasos com consciência política quase sempre se referem a seus oficiais como “de mentalidade fascista”, ou “fascistas naturais”. Escolas militares, a cultura de ordem, disciplina e limpeza, (2)  bater continência aos oficiais, tudo isso é considerado condutivo ao fascismo. Antes da guerra, aderir aos Territorials (3) era considerado sinal de tendências fascistas. Recrutamento e Exército profissional são ambos denunciados como fenômenos fascistas.

Nacionalistas: o nacionalismo é sempre considerado inerentemente fascista, mas entende-se que isso é aplicável apenas a movimentos nacionais desaprovados por quem os está avaliando. O nacionalismo árabe, o nacionalismo polonês, o nacionalismo finlandês, o Partido do Congresso indiano, a Liga Muçulmana, o Sionismo e o IRA (4) são todos descritos como fascistas — mas não pelas mesmas pessoas.

 

Vai-se constatar que, do modo como é usada, a palavra “fascismo” é quase desprovida de todo significado. Numa conversa, é claro, é usada até mesmo mais desarrazoadamente do que quando impressa. Ouvi o termo ser aplicado a agricultores, a lojistas, ao Crédito Social, ao castigo corporal, à caça à raposa, às touradas, ao Comitê de 1922, ao Comitê de 1941, a Kipling, Gandhi, Chiang Kai-Shek, à homossexualidade, aos programas de rádio de Priestley, aos Albergues da Juventude, à astrologia, às mulheres, aos cães e a não sei o que mais.

Mas debaixo de toda essa confusão subjaz uma espécie de significado oculto. Para começar, é óbvio que há diferenças muito grandes, algumas delas fáceis de apontar, mas não fáceis de explicar, entre os regimes chamados fascistas e aqueles chamados democráticos. Segundo, se “fascista” significa “que tem simpatia por Hitler”, muitas das acusações que listei são mais justificadas do que outras. Terceiro, todo aquele que indiscriminadamente lança a palavra “fascista” em todas as direções está agregando a ela alguma medida de significado emocional. Por “fascismo” eles estão se referindo, de maneira grosseira, a algo cruel, inescrupuloso, arrogante, obscurantista, antiliberal e anticlasse trabalhadora. Com exceção de um número relativamente pequeno de simpatizantes do fascismo, quase todo inglês vai aceitar “troglodita” como sinônimo de “fascista”. É a coisa mais próxima de uma definição a que chegou essa tão abusada palavra.

Mas o fascismo também é um sistema político e econômico. Por que, então, não podemos ter dele uma definição clara e aceita por todos? Ai de nós, não teremos uma — ainda não, pelo menos. Explicar a razão disso é algo que levaria muito tempo, mas basicamente é porque é impossível definir satisfatoriamente fascismo sem admitir coisas que nem os próprios fascistas, nem os conservadores, nem socialistas de nenhum matiz querem admitir. Tudo que se pode fazer no momento é usar a palavra com certa medida de circunspecção e não, como usualmente se faz, degradá-la ao nível de um palavrão.

Tribune, 24 de março de 1944

*


 

1 Inteligência Militar 5: serviço de segurança cuja tarefa é observar e neutralizar redes de espionagem estrangeiras que operam em solo inglês. (N. E.)

2 Orwell usa a expressão “spit and polish”, ou seja, “cuspir na bota e dar-lhe polimento”. (N. T.)

3 Reservistas voluntários do Exército inglês. (N. T.)

4 Exército Republicano Irlandês. (N. E.)

 

(extraído do livro “O que é o Fascismo e outros ensaiosde George Orwell)

 

Na AMAZON:

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Capa Comum: R$29,98 - Kindle: R$23,90

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Mônica Salmaso – Ô de casa

 

Mônica Salmaso – Ô de casa

085 - Mônica Salmaso e Chico Buarque à https://youtu.be/bf1yRoOpL3k

003 - Mônica e PauloAragão à https://youtu.be/khoIDSh9tGw

004 - Mônica e Chico Cesar à https://youtu.be/HeIijjH_h3c

011 - Mônica Salmaso e João Cavalcanti (filho do Lenine) à https://youtu.be/mQ3zvxMDHPk

030 - Mônica Salmaso, Dori Caymmi e Teco Cardoso à https://youtu.be/IpX1ckCB63M

040 - Mônica Salmaso, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho e Paulo Aragao à https://youtu.be/V4oAKwPWQIg

015 - Mônica Salmaso e Guinga à https://youtu.be/YvBdQXcRvXA

017- Mônica Salmaso e Cristóvão Bastos à https://youtu.be/Vg1vxA6Bm9Y

021 - Mônica Salmaso e Nailor Proveta à https://youtu.be/IcqZdMM-m68

048 - Mônica Salmaso e Mario Adnet à https://youtu.be/eHcmPypbV7w

013 - Mônica Salmaso e João Camarero àhttps://youtu.be/GOA3cvaJBKc

124 - Mônica Salmaso, Dori Caymmi e Teco Cardoso Correnteza àhttps://youtu.be/ZD8vYQQYfZk

041 - Mônica Salmaso e André Mehmari – Senhorinha àhttps://youtu.be/fxfBL8OLrjw

038 - Mônica Salmaso e Gabriele Mirabassi à https://youtu.be/Dma2-XTsG1Y

091 - Mônica Salmaso, Áurea Martins e João Camarero àhttps://youtu.be/6p624iuyogc

111- Mônica Salmaso e Vidal Assis à https://youtu.be/1_fNhK0NSkc

104 - Mônica Salmaso e Gian Correa à https://youtu.be/7q8YCu0P9uw

098 - Mônica Salmaso e Lula Galvão à https://youtu.be/6iJ3oqntNws

065 - Mônica Salmaso e Paulo Aragão – Diagnóstico à https://youtu.be/a-nAd5ngjYo

031- Mônica Salmaso e Maogani àhttps://youtu.be/z8B-A9FQk_8

028 - Mônica Salmaso e João Paulo Amaral à https://youtu.be/SHK38OEnztA

126 - Mônica Salmaso e Marco Pereira – Iracema à https://youtu.be/Jhk3RRcmb14

037- Mônica e Moyseis Marques à https://youtu.be/xD_C2sUYni4

067 - Mônica Salmaso e Rosa Passos à https://youtu.be/-DTXcqyaQ1s

125 - Mônica Salmaso, Ney Matogrosso e Webster Santos à https://youtu.be/OtHcwkE0k5I

102 - Mônica Salmaso e Rosa Passos – Juras à https://youtu.be/0TdwV1o9VYY

062 - Mônica Salmaso e Paulão Sete Cordas à https://youtu.be/Kx1gUL-R_kI

018 - Mônica Salmaso e Joyce Moreno à https://youtu.be/6PkR2lFjeRE

086 - Mônica Salmaso e Lui Coimbra à https://youtu.be/b8DC6O2n1XM

081- Mônica Salmaso e Marco Pereira à https://youtu.be/nUmq9-ffEPk

060 - Mônica Salmaso e Tita Parra à https://youtu.be/hTRPwTFo8T0

101 - Mônica Salmaso e Cacai Nunes à https://youtu.be/HxPSpTYoyTw

094 - Mônica Salmaso, Rolando Boldrin e Neymar Dias à https://youtu.be/aZjZADIno_I

032 - Mônica Salmaso e Mestrinho à https://youtu.be/QVQcgnXCvDk

070 - Mônica Salmaso e Hamilton de Holanda à https://youtu.be/-Q0SMaTzTUE

061 - Mônica Salmaso, Pedro Paulo Malta e Mauricio Carrilho à https://youtu.be/9jDHZu50f28

105 - Mônica Salmaso e Casuarina à https://youtu.be/xgcVTkEItYU

119 - Mônica Salmaso e MarcosValle à https://youtu.be/F3jfSFu3jlk

066 - Mônica Salmaso e Salomão Soares à https://youtu.be/x2pXc1MGDmk

096 - Mônica Salmaso e Guinga - Você Você à https://youtu.be/YIn_8czmAcc

056 - Mônica Salmaso, Magos Herrera, Vinicius Gomes e Rogério Boccato à https://youtu.be/hFdGumadb6k

110 - Mônica Salmaso e Maro - Canção da Partida à https://youtu.be/ReH7Mpn-Bq8

076 - Mônica Salmaso e Breno Ruiz à https://youtu.be/yrKVlANjp9g

053 - Mônica Salmaso e João Lyra à https://youtu.be/Xoc58K899q0

080 - Mônica Salmaso e Paulo Aragão - Sobre Todas as Coisas à https://youtu.be/f3zvmenHyIc

025 - Mônica Salmaso e Swami Jr. à https://youtu.be/Ktc-JL_RLCI

106 - Mônica Salmaso e Fábio Peron à https://youtu.be/WSLr6OD64oM

082 - Mônica Salmaso e Edu Lobo à https://youtu.be/_abjyXHCgbo

073 - Mônica Salmaso, Marcos Nimrichter e Teco Cardoso à https://youtu.be/CM9i41lgfes

043 - Mônica Salmaso e Dori Caymmi à https://youtu.be/rGaUWxIeuAg

108 - Mônica Salmaso, Rodolfo Stroeter e Teco Cardoso à https://youtu.be/qlIJaN3LmqQ

120 - Mônica Salmaso, Nelson Ayres e Teco Cardoso à https://youtu.be/DV431lM6ALs

001 - Mônica Alfredo Del Penho à https://youtu.be/vVhcowR3rkI

006 - MÔNICA e TERESA CRISTINA à https://youtu.be/fljT04egE7o

130 - Mônica Salmaso, Alfredo Del Penho, Pedro Miranda e Pedro Paulo Malta à https://youtu.be/op6jl_B4Ylw

128 - Mônica Salmaso e Lulinha Alecar - Mãe Da Manhã  à https://youtu.be/zFQ6uHbGvfY

127- Mônica Salmaso e Zelia Duncan - Vou Gritar Seu Nome à https://youtu.be/VADRnGzEsQ8

122 - Mônica Salmaso e Amilton Godoy à https://youtu.be/x1mPr5i2NDE

121 - Mônica Salmaso e Orquestra Jovem Tom Jobim à https://youtu.be/92sM5FFJCwk

117 - Mônica Salmaso e Alexandre Andres à https://youtu.be/XY4GMS9t8uc

116 - Mônica Salmaso, Paulo Aragão e Teco Cardoso - Santa Voz à https://youtu.be/ruO5CLKRpqw

103 - Mônica Salmaso, Dori Caymmi e Teco Cardoso - Voz de Magoa à https://youtu.be/GAm3l1VoMvw

100 - Mônica Salmaso e Quinteto da Paraíba à https://youtu.be/i5Vh2-ofhl8

097 - Mônica Salmaso e Marco Pereira - Suite Gabriela à https://youtu.be/YeRGxNqd30I

095 - Mônica Salmaso, Gian Correa, Henrique Araujo e Xeina Barros à https://youtu.be/G9Pmz_uwgLk

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Marcílio José Vieira Neto

 

Marcílio José Vieira Neto

    Quando o meu irmão, caçula, nasceu eu tinha onze anos e cinco meses. Foi numa data muito especial, dia 08 de dezembro, Consagrado à Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Tenho a certeza de que ele é um abençoado.

    Era o bebê mais bonito da Praça Getúlio Vargas. O ano de 1963 terminava e eu concluía o quarto ano primário e logo em seguida comecei o ginasial no “Guido Marlière”. Além destas obrigações estudantis, tinha os compromissos com jogar peladas na nossa pracinha, um areal, e no campo do José Pinheiro, no campo do Bambu, depois promovido Vai-quem-Quer, no campo do Jaburu que ficava nos fundos da casa da D. Alzira e Sô Pedro Vieira e no Campo do Cruzeiro. Portanto uma infância voltada ao futebol que me negou a glória, pois não passava de um perna-de-pau esforçado.

    MAS estou aqui para falar de meu irmão. É o que farei. Herdou o nome poderoso do Vovô Marcílio José Vieira, uma tradição criada pelo nosso bisavô José Marcílio Vieira que colocou Marcílio como sobrenome dos filhos como em José Marcílio Vieira Filho, Joaquim Marcílio Vieira, Maria Marcília Vieira (Tia Cotinha). Preciso confirmar os nomes completos dos tios-avós Aristides, Francisco e Isabel.

    Toda família tem pelo menos um Marcílio. Assim temos primos em 1º, 2º e 3º grau, são várias gerações, com nome de Marcílio. O Vovô Marcílio, em vida, sabia e contabilizava quantos “Marcílio” tinham na Família.

    Em 1965, quando o Marcílio tinha pouco mais de um ano, fui estudar no Colégio Agrícola de Rio Pomba. Dessa forma, acompanhei o seu crescimento um pouco à distância, nas férias, feriados e fins de semana. Mesmo assim tive alguma influência nos gostos e preferências do meu irmão caçula. Torcer para Flamengo e depois o Clube Atlético Mineiro, o GALO Forte Vingador.

    Em 1969 nossos pais mudaram para Rua Conde da Conceição, hoje João Januzzi. Mesmo sendo uma criança de apenas seis anos, “do lado de lá da ponte”, na nossa Niterói, Praça Getúlio Vargas, iniciou uma amizade com o menino Juscelino Pinheiro, que atravessa os tempos, enraizando em compadrio, de muitas histórias em comum. Aliás, amizade estendida à toda Família do patriarca Geraldo Pinheiro, grande futebolista guidovalense.

(A história sobre o Marcílio está apenas começando. Irei dar continuidade muito em breve. Tenho muito a contar sobre o meu irmão. Aguardem...)

































quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Estão acabando com a LAVA-JATO. A quem pode interessar?

Estão acabando com a LAVA-JATO. A quem pode interessar?

DESCONFIO de todos que querem destruir a Lava-Jato.

 Uma síntese da atuação da Lava-Jato.

 Prendeu, julgou e condenou:

- Diversos políticos de alto coturno (deputados, senadores, governadores, ministros, ex-presidente), tesoureiros de partidos.

- Empresários e executivos de grandes empresas como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, J&F/JBS, dentre outras.

- Funcionários e presidentes de estatais como a Petrobras e Banco do Brasil.

Publicitários, Doleiros, agentes públicos.


http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/lava-jato/resultados













terça-feira, 1 de setembro de 2020

Se Essa Rua Fosse Minha... (escrito pelo poeta José Francisco Barbosa)

 

Se Essa Rua Fosse Minha...

(à minha neta Júlia, fonte de minha inspiração)

 

(escrito pelo poeta José Francisco Barbosa)

 

Ao ver minha neta ninando sua boneca com a cantiga acima, por alguns instantes, meus pensa­mentos vagaram. A caixa filmadora e gravadora de meu cérebro rodaram rapidamente à minha frente. Assisti ao filme. Eu era espectador e protagonista. Não há cortes. Era julho. Esquina do Sr. Dionísio empoeirada. Um mastro com a imagem de Nossa Senhora Sant’Ana tremulando no alto. Uma fogueira recheada com algumas batatas doces. Alguns esperando que da fogueira restem apenas brasas para pisá-las com os pés nus, numa demonstração de sua fé.

O comando do Benedito no mais autêntico congado. Gorros enfeitados de espelhos redondos, espadas reluzentes ao clarão do fogo.

Encostado à parede da casa do Dr. Mário, uma barraca com chocolate, quentão e canjica. No bar do Caputo, alguém pede "mais uma". Desço um pouco pelo Fundão. Paro num salão de piso de tábuas corridas, onde o perfume indefinível faz parte de mim, assim como é o cheiro de minha carteira do Grupo Escolar Mariana de Paiva, friccionada pela borracha de apagar. Não sai.

Neste salão, admiro um velho, cuja cabeça me parecia uma pluma suave, valorizada por um sorriso aberto e umas mãos mágicas rodeado de uma platéia. Que platéia! Cada um patrocinava um convidado. Terezinha Reis, Sô Odilon, Zé do Gil, Bigica, Márcio Barbosa, Sô Lau, Landim, Mundico, Manga Rosa, Renatinho, Bebeto e tantos outros, que como ninguém, valorizavam o deslizar dos dedos de um artista nas cordas de um violão, de um violino ou de um banjo com suas vozes suaves e encantadoras. Saudades de vocês, Sô Nilo, Sô Odilon... E o filme desce um pouco mais pelo Fundão quando vejo uma placa "Cartório de Paz". Sinto-me envolvido no calor do ventre materno. Que delícia! Foi ali, lá em cima, onde respirei o primeiro ar com meus pulmões. Vovó Elisa, ainda sinto o deslizar de suas mãos abençoadas em meu corpo. O filme e o tempo passam neste lugar. As brincadeiras com o Babá (onde você está?), o cheiro deixado pelos primeiros baldes de água jogados na rua pelo Jésus Ribeiro para eliminar a poeira, as noites bem disputadas de buraco com Sr. Sebastião Vieira, as nossas confidências, Élvia. O tio Nely a me colocar dentro de um pneu dando-me aquele impulso Fundão abaixo... Que maravilha.

Ainda é julho e bem lá embaixo no Fundão, ouço uma música de qua­drilha e a voz cadente, encanta­dora, entremeada de boas expres­sões em francês, marcando a quadrilha. Seu Antônio Queiroz, como isto me marcou! Quanto ciúme me causava o "cada um com seu par" de meu primeiro amor (ela não sabia).

De repente, sinto um cheiro gos­toso de remédio manipulado. Lá de dentro, surge um homem alto, mãos limpas, conversa agradável, conheci­mento de tudo. Era nossa consulta. Era nossa enciclopédia. Seu Trajano, onde está aquele banquinho?

Eu adormeci. Fiquei a vaguear. Sonhei. Defrontei-me com o "Espírito Perfeitíssimo, Eterno, Criador do Céu e da Terra" que você, Tia Sinhá, havia me apresentado aqui e que aprendi a amar.

Repetidas vezes, minha neta cantava: "se essa rua, se essa rua fosse minha / eu mandava, eu mandava ladrilhar / com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes / para o meu, para o meu amor passar".

Acordei lentamente. Nos lábios eu tinha uma expressão de felicidade.

No travesseiro, encontrei umidade. Meus olhos merejavam.



terça-feira, 28 de julho de 2020

Thaís Ribeiral Vieira Condessa


Thaís Ribeiral Vieira Condessa

Quarenta anos atrás, às 13:50h do dia 28/07/1980, nasceu a nossa filha Thaís. O maior presente que DEUS poderia nos ter proporcionado. É filha única, a mais velha, a mais nova, única.
Ao longo destes anos, Thaís, tornou-se Ribeiral, mirando-se no exemplo da Matriarca Dona Lourdes, dos tios Marta, Zuleika, Luiz Antônio, Dilermando, Olga, Adauto, Meire e Alexandre, na convivência com os primos e primas tão queridos, uma grande irmandade.
E a sua personalidade foi se construindo ao conviver com o Vovô Zizinho, a Vovó Tita, os tios Ângela, Sueli, Meire, Zezé e Marcílio; além dos primos, a confraria dos Vieira.
Em 2017, casou-se com Luís Fernando, virando uma Condessa. E agora temos a Thaís Ribeiral Vieira Condessa, uma nobre cidadã que nos enche de orgulho.
Ao longo desta caminhada, por onde passa, vai reunindo amigos. Da Rua Cardoso, a Família Santiago Chaves; Ballet do Joaquim Ribeiro, Colégio Arnaldo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) onde fez graduação, especialização, mestrado e leciona (professores, colegas e alunos), UFMG onde fez o doutorado, clínicas odontológicas onde trabalha, Clube Palmeiras de BH, quintal da sua infância e hoje é conselheira, nas praias de Caraíva, na cidade de Guidoval nas férias, feriados (Festa de Santana, Festival Gastronômico e da Manga). Católica, participa do Encontro de Casais com Cristo na Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
A Thaís adora festas, barzinhos, praias, encontros, reencontros; e claro, o Clube Atlético Mineiro, GALO forte vingador.
Tentamos retratar um poquinho disso tudo neste vídeo. Não foi possível registrar, catalogar, todos os amigos que a Thaís foi colecionando ao longo deste tempo. Pedimos escusas por todas as omissões. Numa outra oportunidade resgataremos estas falhas.
FAMÍLIA E AMIGOS são os TESOUROS que a vida nos reserva. E isto a Thaís tem, e muitos, e da melhor qualidade.
Parabéns, filha! Que Deus continue lhe abençoando, protegendo e iluminando a sua vida.

Com AMOR, seus pais,

Lourdes e Dé (28/07/2020)